:: ‘Saúde’
Ambiente tóxico no trabalho? Como impor limites e saber quando é hora de sair
‘Não tem preço que pague isso’, diz mulher que trocou salário mais alto para ‘fugir’ de chefe que gritava e criticava sua aparência. Segundo especialista, novas gerações estão cada vez menos dispostas a tolerar comportamentos abusivos.
Uma semana após começar em um novo emprego, Lisa Grouette notou algo diferente no domingo à noite: o fim da sensação de angústia que costumava sentir antes de ir trabalhar toda segunda-feira.
Grouette passou 10 anos em uma agência de seguros com um chefe que, segundo ela, gritava com frequência, batia com as mãos na mesa, criticava sua aparência e quebrava objetos.
Ela afirma que ele a acusou falsamente de roubo e ameaçou negar uma carta de recomendação caso ela pedisse demissão.
Com medo de não conseguir outro emprego, ela permaneceu nesse ambiente tóxico. “Era como se estivesse implícito: ‘Você está presa’”, relembra Grouette, de 48 anos.
Mas ela encontrou uma saída. Quando surgiu uma vaga em tempo integral em um jornal onde já trabalhava como fotógrafa freelancer, pediu demissão. O novo emprego pagava US$ 400 a menos por mês, mas Grouette reduziu seus gastos para conseguir se manter.
“Não tem preço que pague isso”, disse. “Foram os 400 dólares mais bem gastos da minha vida, valeu cada centavo. Fiquei um pouco apertada no começo, mas não importava porque eu estava feliz.”
Foto: Peter Hamlin/Ilustração AP
Cresce a intolerância a comportamentos tóxicos
Com o aumento da conscientização sobre saúde mental, crescem também as conversas sobre o que constitui um comportamento nocivo e o tipo de tratamento que as pessoas não devem — ou não precisam — aceitar em troca de um salário.
“Estamos desenvolvendo uma linguagem para lidar com ambientes de trabalho tóxicos”, afirma Jennifer Tosti-Kharas, professora de comportamento organizacional no Babson College, em Massachusetts, nos Estados Unidos.
Segundo ela, gerações mais jovens, como os millennials e a geração Z, são menos dispostas a tolerar comportamentos abusivos de colegas e chefes, além de serem melhores em impor limites.
No início da própria carreira, Tosti-Kharas conta que, ao se deparar com um ambiente tóxico no trabalho, sua atitude era de “engolir seco”. “Acho que não falávamos tanto sobre cuidar da saúde mental quanto deveríamos.”
Como identificar um ambiente de trabalho tóxico?
Conflitos e relacionamentos difíceis podem ser inevitáveis em qualquer ambiente profissional. Mas há uma grande diferença entre um desentendimento ocasional e abusos persistentes.
“O que torna algo tóxico é a persistência, a constância ao longo do tempo”, explica Tosti-Kharas. “Você pode até tentar resolver, mas nada muda. Está profundamente enraizado.”
Sinais de um ambiente emocionalmente prejudicial incluem falta generalizada de confiança e medo de ser rejeitado ao manifestar sua opinião, diz ela.
Para identificar um ambiente potencialmente tóxico ao se candidatar a um novo emprego, confie nos seus instintos e fique atento a sinais de alerta. Anúncios frequentes para a mesma vaga, por exemplo, podem indicar alta rotatividade causada por um ambiente negativo. Você também pode procurar avaliações de funcionários na internet.
Foto: ibrabr.com
O que pode explicar comportamentos tóxicos?
Se você for alvo de comportamentos tóxicos, considere se o problema está mais em quem os pratica do que em você.
“É quase como uma cortina de fumaça para esconder inseguranças”, diz Atchison. “Se alguém se sente ameaçado ou com medo de ser ofuscado, pode tentar sabotar os outros, espalhar boatos ou atrapalhar projetos para se sentir mais no controle.”
Desde a pandemia de Covid-19, os relatos de ambientes tóxicos aumentaram, segundo Atchison. Um dos motivos seria a perda de habilidades sociais devido ao isolamento.
“Socializar é uma habilidade, e ela se deteriorou”, afirma.
Fale sobre suas preocupações
Se você está em uma situação tóxica no trabalho, conversar com amigos de confiança ou com um terapeuta pode ajudar a processar o que está acontecendo e encontrar formas de lidar com isso, em vez de deixar o problema se acumular.
Stephanie Strausser, 42 anos, gerente de produção de vídeo, contou que buscou apoio quando trabalhou com um chefe extremamente controlador, que a fazia se sentir insegura e tomava decisões que ela considerava antiéticas.
“Não esconda nem guarde para você. Converse com as pessoas. Mesmo que seja com o ChatGPT”, recomenda. “Não internalize isso. E não tome a percepção dos outros como verdade absoluta.”
Amanda Szmuc, advogada da Filadélfia, que passou por ambientes tóxicos, sugere documentar os problemas caso seja necessário levar o caso ao RH.
Anotar detalhes das situações, guardar mensagens inapropriadas ou gravações de reuniões pode ser útil — tanto para fins legais quanto para fortalecer sua percepção da realidade e se proteger contra manipulações psicológicas (gaslighting).
Foto: elhombre.com
Estabeleça limites
Se sair do emprego não for financeiramente viável ou você quiser tentar melhorar a situação, vale tentar limitar o contato com a pessoa tóxica.
“As possibilidades podem incluir negociar um cargo que crie distância entre você e a pessoa tóxica, como trabalhar em turnos diferentes ou em projetos distintos”, dizTosti-Kharas.
Você também pode estabelecer prazos para si mesmo, a fim de evitar que a situação piore, diz Szmuc. Por exemplo: ‘Vou dar duas semanas para isso. Houve alguma melhora?’, questiona ela. “Existe alguma forma de talvez mudar minhas circunstâncias ou ter a opinião de outra pessoa?'”
Encontre uma saída
“O ideal seria que um funcionário que se sente maltratado pudesse recorrer a alguém do setor de recursos humanos ou ao gerente do funcionário ofensivo, apresentando evidências que mostrem um padrão de violações de conduta para, então, uma ação disciplinar ser tomada”, disse Tosti-Kharas.
Mas isso nem sempre acontece, deixando quem fez a denúncia em contato direto com a pessoa denunciada. “No mundo real, você pode perceber que é improvável que ela vá embora — e quem vai ter que sair é você”, diz Tosti-Kharas.
Em situações extremas, o melhor é procurar outro emprego, afirma ela.
“Se um inspetor encontrasse radônio [um gás radioativo] na sua casa, você não diria: ‘Deixe-me tentar conviver com o radônio’ ou ‘Como posso mantê-lo aqui, mas talvez reduzir os efeitos?'”, acrescenta. “Você tiraria a toxina da situação ou se retiraria da situação.”
A maioria das pessoas não pode se dar ao luxo de deixar o emprego sem ter outro em vista. Arranjar tempo para se candidatar a outras vagas é difícil quando você se sente sob ataque, mas também é algo fortalecedor e pode levar a uma situação melhor.
“Se alguém te dá a impressão de que você não pode sair desse emprego, isso simplesmente não é verdade”, diz Grouette. “Esse tipo de pessoa não tem o alcance ou o respeito que afirma ter, porque se é volátil com você, é volátil com os outros também”, conclui.
Fonte: g1.globo (Associated Press)
Ela teve fratura brincando de cabo de guerra: ‘Minha mão foi esmagada’
O que era para ser uma brincadeira inocente de cabo de guerra acabou em uma cirurgia na mão para colocação de 15 parafusos e duas placas. Erica Assis, 36, contou em seu perfil no Instagram que sofreu um acidente enquanto participava da brincadeira. Ao enrolar a mão na corda, ela teve múltiplas fraturas e precisou passar por uma cirurgia. O caso, que aconteceu em abril, viralizou nas redes sociais.
Foto: UOL / Instagram/@ericaa_ssis
Brincadeira virou caso de emergência
O episódio aconteceu durante um evento na escola da filha de Erica, em Brasília, no dia 12 de abril. A assessora contou que era a primeira vez que ela brincava de cabo de guerra, e que foi orientada a enrolar a mão na corda. Ao iniciar a brincadeira, o movimento torceu o membro.
“O adversário puxou de lá, meu time puxou de cá, e minha mão foi esmagada no meio da corda.” – Erica Assis.
Ela diz que sentiu a dor imediatamente. “No momento que a corda esticou, já senti a dor. Quando deixava minha mão parada, não sentia tanta dor. Mas, quando mexia, doía. A mão inchou depois de um tempo”, relembra.
A equipe da escola auxiliou Erica chamando os bombeiros, que a levaram para o hospital. “Os bombeiros informaram as enfermeiras o que tinha ocorrido e logo fui chamada. A médica fez a avaliação clínica e me mandou para o raio-x. Ela percebeu que algo estava estranho quando eu fechava a mão”.
Além de Erica, outra mãe também se machucou da mesma forma na brincadeira. No entanto, o caso da segunda mulher foi mais leve, apenas uma luxação. Segundo Erica, não houve a participação dos alunos na brincadeira. “Somente os adultos brincaram de cabo de guerra, nenhuma criança se machucou”.
A assessora ressalta o cuidado necessário durante a brincadeira. “Eu tô rindo agora, mas não deixa de ser um alerta. Se for brincar de cabo de guerra, não enrole a mão na corda!”, escreveu.
Foto: UOL / Instagram/@ericaa_ssis
“Antes de propor uma brincadeira, pesquisem sobre as formas corretas de conduzi-la, o que pode ou não ser feito. Mesmo com todos os cuidados, acidentes ainda podem acontecer, por isso, é preciso ser o mais precavido possível”. – Erica Assis
Uma cirurgia, 15 parafusos e duas placas
Após fazer os exames de imagem, ela foi informada de que precisaria de uma cirurgia. Marcos Vinicius Muniz Lemos Souto, ortopedista, traumatologista e especialista em cirurgião de mão e microcirurgia, foi o responsável pelo caso de Erica.
Segundo ele, os movimentos da brincadeira, aparentemente inofensivos, provocaram as lesões. Como Erica enrolou a mão na corda, a compressão e a força aplicada pelos times envolvidos no cabo de guerra comprimiram e giraram a mão, torcendo os fragmentos.
Souto explicou que a paciente teve múltiplas fraturas. “[Houve] fratura metadiafosária do 4º e 5º metacarpos e da falange proximal do 5º dedo”.
Foto: UOL / Instagram/@ericaa_ssis
Além das fraturas, houve também desvio rotacional dos dedos. “Devido à complexidade do caso, optamos pela fixação com placa e parafuso nos metacarpos e fio de Kirschner [popularmente conhecido como pino] na falange proximal do 5º dedo”, explica o especialista. Erica recebeu então 15 parafusos, 2 placas e 2 fios de Kirschner —estes últimos foram retirados cerca de um mês depois da cirurgia.
O especialista explica que a intervenção busca um alinhamento ósseo mais anatômico possível. Ainda segundo o Souto, a cirurgia melhora o prognóstico do paciente, mas a recuperação é multifatorial. “A cirurgia é uma etapa do tratamento. Sempre falo para meus pacientes que a recuperação é um processo”, diz.
Foto: UOL / Instagram/@ericaa_ssis
Segundo Erica, sua recuperação está correndo de forma tranquila. “Quase não tive dor [depois da cirurgia], comprei remédios e nem sequer abri. Fiz 10 sessões de fisioterapia e já recebi alta. Meus ossos já estão quase consolidados e tenho dois meses de cirurgia, foi tudo muito rápido”, diz. Em seu relato nas redes sociais, ela afirma que já consegue abrir e fechar a mão lesionada. “Está tudo bem, no mesmo dia eu já estava rindo. Levei um susto, não imaginei que ia precisar de uma cirurgia, achei que eles [os médicos] iam botar [os ossos] no lugar e pronto”.
A assessora se diz surpresa com a proporção que seu caso tomou nas redes sociais. Segundo ela, os stories em que conta o episódio somam mais de 103 mil visualizações.
Fonte: Uol
Cuidados com pets no inverno: como proteger seu animal de estimação do frio
Independente da raça, do porte e do tipo de pelagem, é crucial proteger os bichinhos das baixas temperaturas.
Engana-se quem pensa que os animais de estimação estão imunes às baixas temperaturas. Assim como os humanos, eles também sentem frio, e ignorar detalhes da rotina pode comprometer a saúde dos bichinhos. Segundo Richardson Zago, especialista em comportamento canino da Zago Adestramento e sócio-fundador do Patinhas Urbanas, é fundamental redobrar os cuidados durante o inverno, sobretudo com filhotes, cães idosos, de pequeno porte ou com pouca pelagem.
“O primeiro passo é observar onde o pet costuma descansar. O local deve ser quente, seco e protegido de correntes de ar. Camas elevadas, cobertores e almofadas ajudam a manter o animal aquecido”, orienta Zago. “Se o animal for se hospedar em um hotel, verifique se o ambiente é fechado, aquecido e se há a opção de oferecer mantas nas noites frias. Caso contrário, não se esqueça de enviar uma na bagagem”, destaca.
Foto: Freepik
Mesmo em ambientes como creches para os bichinhos, onde há atividades físicas frequentes, o uso de roupas apropriadas é recomendado. “Animais com pouca pelagem devem ir agasalhados. Os monitores saberão se é necessário retirar a roupa caso o pet apresente sinais de calor. Tecidos confortáveis e que não restrinjam os movimentos são os mais indicados”, explica.
Quando o assunto é higiene, a recomendação é evitar banhos caseiros em dias muito frios. “Além do desconforto, a água em temperatura inadequada pode causar doenças respiratórias. Em pet shops e creches, os profissionais sabem ajustar a temperatura da água e utilizam equipamentos que agilizam o processo, sem expor o animal a riscos”, afirma o especialista.
Passeios ao ar livre também exigem atenção. O ideal é que sejam feitos nos horários mais quentes do dia. Além disso, é importante proteger o pet com roupas adequadas (exceto raças adaptadas ao frio) e evitar saídas em dias chuvosos.
Grupos mais vulneráveis, como filhotes, idosos e animais doentes, demandam cuidados ainda mais específicos. “Fique atento a sinais de hipotermia, como tremores, rigidez muscular, sonolência e extremidades frias, como pontas das orelhas, focinho e almofadas das patas”, alerta Zago.
O especialista reforça ainda que os pets também podem ficar gripados. “É fundamental manter as vacinas em dia, pois o frio compromete o sistema imunológico e aumenta a incidência de doenças respiratórias. Além disso, consulte um veterinário nutrólogo para avaliar se é necessário ajustar a dieta e estimular a ingestão de água, já que o consumo tende a cair durante o inverno”, conclui.
Fonte: G1
Alopécia genética: entenda condição e por que afeta homens e mulheres
O tratamento envolve o uso de medicamentos que ajudam a retardar a progressão da doença e estimular o crescimento capilar.
Um tipo de calvície, a alopécia androgenética é uma condição genética que leva ao afinamento progressivo dos fios e à perda capilar. Segundo a dermatologista Marcia San Juan Dertkigil, especialista em tricologia médica, a principal causa da condição é a ação do hormônio diidrotestosterona (DHT) nos folículos capilares, provocando sua miniaturização até a interrupção do crescimento.
Nos homens, a queda geralmente ocorre na forma de “entradas” e diminuição dos fios no topo da cabeça, podendo evoluir para calvície total. Já nas mulheres, a perda é mais difusa, com alargamento da risca central do cabelo, mas sem formação de áreas completamente calvas.
Foto: genera.com
A dermatologista Fabiola Bordin, especialista em dermatologia pelo Hospital do Servidores do Estado do Rio de Janeiro, destaca que a predisposição genética pode vir tanto do lado materno quanto paterno. Além do fator genético, alguns hábitos agravam a condição, como tabagismo e exposição solar excessiva.
Embora afete ambos os sexos, a alopecia androgenética é mais comum em homens devido aos níveis mais elevados de hormônios masculinos.
Como tratar a alopecia androgenética?
O tratamento envolve o uso de medicamentos como finasterida e minoxidil, que ajudam a retardar a progressão da doença e estimular o crescimento capilar. No entanto, esses medicamentos podem apresentar efeitos colaterais, como espessamento de pelos corporais, inchaço e, em alguns casos, impactos na libido e na função erétil.
O transplante capilar é uma opção para casos avançados, mas deve ser combinado com o uso contínuo de medicamentos para manutenção dos resultados.
A única maneira de evitar a progressão da doença e a calvície é fazendo o tratamento com medicamentos orais ou tópicos em casa e tratamentos de consultório. Eles fazem o folículo ficar “mais ativo”, aumentando a quantidade de fios e o seu volume.
Foto: julianafonte.com.br
Procedimentos com laser, terapia regenerativa e eletroporação de medicamentos diretamente no couro cabeludo aceleram bastante a recuperação dos fios. “Muitas vezes, o paciente chega ao consultório achando que já precisa de implante capilar e conseguimos reverter o quadro”, afirma Bordin. O tratamento em casa é para a vida toda. Se o paciente suspende o uso dos medicamentos, o resultado desaparece em poucos meses.
“Existem poucos laseres que realmente funcionam, mas estes poucos já geram grande resultado. E a infusão de medicamentos pela MMP ou pela eletroporação (sem uso de agulhas) é uma das grandes diferenças dos últimos anos”, acrescenta a especialista.
“Finasterida e dutasterida devem ser evitados em pacientes com história de câncer de mama. Também podem gerar diminuição do volume espermático. Não geram infertilidade, mas, se o homem já tem um espermograma alterado, pode dificultar a chance de gestação. Estes efeitos não ocorrem apenas durante o uso do medicamento. Também são relatados (pequena chance, mas pode ocorrer) diminuição da libido e ereção”, alerta Bordin.
Procedimentos complementares
Além dos tratamentos medicamentosos, procedimentos como laser e infusão de medicamentos no couro cabeludo têm mostrado bons resultados nos últimos anos. Segundo Bordin, a aplicação direta dessas substâncias melhora a eficácia do tratamento e reduz os efeitos colaterais.
Hábitos como o uso de shampoos adequados, alimentação balanceada e controle do estresse também podem ajudar a preservar a saúde capilar. O acompanhamento médico é essencial para definir a melhor abordagem para cada paciente.
Fonte: CNN Brasil
Problemas para dormir? Médico compartilha um jogo cerebral simples que ajuda a pegar no sono
Os truques citados pelo especialista são uma forma de dizer o cérebro que é seguro adormecer.
A hora de dormir é a hora mais prazerosa após um longo dia. Para outros, é como se deitar na cama para pegar no sono iniciasse um campo de batalha. No entanto, de acordo com o médico Scott Walter, de Connecticut, nos Estados Unidos, em um vídeo que já acumula mais de 4,3 milhões de visualizações no TikTok, existem truques fáceis — além do óbvio — para ajudar no processo de adormecer.
Foto: FreePik
Embaralhamento cognitivo
“Sou médico e às vezes tenho dificuldade em adormecer, e vou contar sobre o método que funcionou para mim, uma vez que o aprendi. Não envolve tomar melatonina ou outros suplementos, não envolve tomar banho quente antes de dormir, nem mesmo ler. É um simples exercício mental que chamamos de embaralhamento cognitivo”, promete o especialista.
Segundo ele, este método, que consiste em reorganizar os pensamentos, é como embaralhar um baralho de cartas. Desta forma, se torna possível distrair a mente de pensar conscientemente pois isso atrapalha o processo de adormecimento.
O especialista explica que existe mais de um tipo de embaralhamento. Um deles é pensar qualquer palavra ou forma que venha à mente de forma aleatória, que não tenham relação entre eles.
“Por exemplo, vaca, folha, sanduíche, manteiga, fígado, coisas assim. Apenas coisas aleatórias que não fazem sentido”, afirma o médico.
O outro, também indicado por Walter, é escolher uma letra do alfabeto, e em seguida, iniciar uma contagem dos batimentos do coração. A partir de oito batidas, uma palavra deve ser escolhida começando com a letra escolhida.
“Você deve estar se perguntando: ‘como isso realmente funciona?’. Além de distrair o seu cérebro, o embaralhamento cognitivo imita o que chamamos de ‘micro sonhos’, que ocorrem durante a transição até o sono. Então, é uma forma de dizer ao seu cérebro: ‘ei, é seguro dormir agora'”, explica o especialista.
Fonte: O Globo
O que é AVC? Entenda os sinais e por que o socorro imediato é essencial
Acidente vascular cerebral (AVC)
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, é uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. Apesar de ser mais comum em pessoas acima dos 60 anos, pode afetar indivíduos de qualquer idade, especialmente aqueles com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol alto, sedentarismo e tabagismo. O AVC ocorre quando o fluxo de sangue é interrompido ou quando há um rompimento de vasos no cérebro, o que provoca a morte de células cerebrais em minutos.
Há dois tipos principais de AVC: o isquêmico, responsável por cerca de 85% dos casos, é causado pela obstrução de uma artéria cerebral; já o hemorrágico ocorre quando um vaso se rompe e provoca sangramento no cérebro. Em ambas as situações, o tempo de resposta é fundamental para reduzir os danos neurológicos e aumentar as chances de recuperação sem sequelas.
Foto: caminhosposavc.com.br
Os sintomas costumam surgir de forma súbita e podem incluir fraqueza ou dormência em um lado do corpo, paralisia facial — geralmente com a boca torta —, dificuldade para falar ou entender a fala, perda de visão em um ou ambos os olhos, tontura, desequilíbrio, dor de cabeça intensa e confusão mental. Esses sinais não devem ser ignorados. O atendimento médico imediato é essencial. Ao suspeitar de um AVC, a orientação é ligar para o SAMU (192) ou procurar o pronto-socorro mais próximo sem hesitar.
Um método prático para identificar o AVC é o teste SAM, que envolve três passos: pedir para a pessoa sorrir (um lado do rosto pode estar paralisado), levantar os braços (um deles pode não subir) e repetir uma frase simples (a fala pode estar embolada). Qualquer alteração nesses testes já é motivo para acionar o socorro.
Além do atendimento rápido, a melhor forma de enfrentar o AVC é a prevenção. Manter a pressão arterial sob controle, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, evitar o cigarro e o consumo excessivo de álcool, além de fazer acompanhamento médico regular, são atitudes que reduzem consideravelmente o risco. Falar sobre o tema e divulgar os sinais de alerta é uma forma de salvar vidas — talvez até a sua.
Foto: clinicaimr.com
Fatores de risco:
– hipertensão;
– diabetes;
– tabagismo;
– consumo freqüente de álcool e drogas;
– estresse;
– colesterol elevado;
– doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias;
– sedentarismo;
– doenças do sangue.
Existem fatores que podem facilitar o desencadeamento de um Acidente Vascular Cerebral e que são inerentes à vida humana, como o envelhecimento. Características genéticas, como pertencer a raça negra, e história familiar de doenças cardiovasculares também aumentam a chance de AVC. Esses indivíduos, portanto, devem ter mais atenção e fazer avaliações médicas mais frequentes.
Reabilitação:
Parte importante do tratamento, o processo de reabilitação muitas vezes começa no próprio hospital, a fim de que o paciente se adeque mais facilmente a sua nova situação e restabeleça sua mobilidade, habilidades funcionais e independência física e psíquica. Esse processo ocorre quando a pressão arterial, o pulso e a respiração estabilizam, muitas vezes um ou dois dias após o episódio de Acidente Vascular Cerebral e é conduzido por equipe multiprofissional, formada por neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.
O processo de reaprendizagem exige paciência e obstinação do paciente e, também, do seu cuidador, que tem uma função extremamente importante durante toda a reabilitação. Outro aspecto de considerável importância é a reintrodução do indivíduo no convívio social, seja por meio de leves passeios, compras em lojas ou quaisquer atividades comuns à sua rotina normal.
Fonte: jerbersonjosue.blogspot e bvsms.saude
7 trocas inúteis para emagrecer: Pão por tapioca e outra mais.
Muitas substituições alimentares populares vistas como soluções para emagrecer não são eficazes; nutricionistas explicam os motivos.
Foto: Designed by Freepik (gbot.med.br)
A busca por emagrecimento costuma envolver mudanças na alimentação que, à primeira vista, parecem ser boas. Porém, nem todas as substituições comuns no imaginário popular realmente ajudam a perder peso. Neste Dia da Mentira, confira sete trocas inúteis para emagrecer.
Um artigo da Universidade de Harvard mostra que as percepções sobre alimentação saudável muitas vezes não se traduzem em benefícios práticos, especialmente quando o objetivo é o déficit calórico, necessário para o emagrecimento. É comum que a adesão a essas mudanças na dieta seja difícil quando resultados rápidos não são observados.
Dois especialistas ouvidos por EU Atleta, o nutricionista e educador físico Lucas Eduardo Campos e o nutricionista João Muzzy, listam a seguir sete trocas alimentares comuns, mas que não são eficazes para o emagrecimento.
1. Pão por tapioca
Trocar pão por tapioca é uma escolha frequente por quem quer emagrecer, mas não é vantajosa.
— Se você usar 60g de farinha de tapioca para preparar sua refeição, isso geralmente terá mais calorias do que duas fatias de pão — adverte Lucas.
Duas fatias de pão francês (50g cada) possuem cerca de 135kcal, enquanto uma tapioca com 60g de goma tem aproximadamente 150kcal.
Outro ponto importante é que há poucas fibras na tapioca, o que reduz a saciedade proporcionada por esse alimento.
Foto: iStock (ge.globo)
Segundo Lucas, apesar da crença de que o glúten, presente no pão, faz mal à saúde, a incidência de problemas relacionados à proteína é baixa. Só quem tem intolerância deve evitar alimentos com glúten.
— Além disso, a tapioca tem índice glicêmico elevado, o que pode levar a picos de glicose no sangue e fome mais rapidamente — acrescenta João.
Estudos publicados no Journal of Nutrition and Metabolism reforçam que alimentos com baixo índice glicêmico promovem maior saciedade, o que é essencial para controlar o apetite.
Por isso, rechear o pão com proteínas magras e fibras pode ser mais eficiente do que apostar na tapioca.
2. Pão branco por pão integral
Foto: Istock Getty Images (ge.globo)
João explica, que se a ideia é aumentar o consumo de fibras, é melhor incluir vegetais, grãos integrais ou psyllium na dieta do que substituir o pão branco pelo integral.
— Trocar apenas o pão sem olhar o contexto geral da alimentação é como tentar encher uma banheira com uma peneira — brinca o especialista.
Segundo Lucas, o teor calórico dos pães branco e integral é praticamente o mesmo.
— A diferença está em uma quantidade ligeiramente maior de fibras no pão integral, mas isso não justifica a troca no contexto do emagrecimento.
Um pão branco padrão contém cerca de 265kcal por 100g, enquanto o integral oferece 250kcal. Apesar de a diferença calórica ser mínima, o pão integral apresenta 2g de fibras a mais por fatia, o que pode ajudar na saciedade, mas não faz uma diferença impactante no consumo total.
3. Arroz branco por arroz integral
Lucas sustenta que trocar arroz branco pelo integral traz poucas vantagens no emagrecimento:
— A diferença em fibras é mínima e, como o arroz geralmente compõe uma refeição equilibrada com proteínas, vegetais e feijão, o impacto calórico é insignificante — explica o nutricionista.
Por exemplo, 100g de arroz branco têm cerca de 130kcal e 0,3 g de fibras, enquanto o integral tem 124kcal e 1,8g de fibras.
O arroz integral demora mais para ser digerido, o que pode gerar uma leve sensação de saciedade prolongada, mas Lucas faz um alerta sobre a preparação do alimento.
— O tempo de cozimento do integral é bem maior, o que exige mais tempo no preparo e tempo disponível na rotina, o que pode ser uma barreira para algumas pessoas — contextualiza o nutricionista.
João ressalta que, para quem gosta de arroz branco, forçar a mudança pode tornar a dieta menos prazerosa.
— É essencial pensar na adesão a longo prazo e não em trocas isoladas — pondera, destacando que um prato equilibrado com feijão e vegetais já é suficiente para compensar o menor teor de fibras do arroz branco.
4. Bebidas por sucos naturais
Foto: Getty Images (ge.globo)
Trocar refrigerantes ou outras bebidas por sucos naturais parece uma boa ideia, mas não para quem quer emagrecer.
— Sucos, mesmo os naturais, têm calorias que podem ser usadas de forma mais eficiente em alimentos sólidos. Um copo de suco de laranja pode adicionar 120kcal a uma refeição, enquanto a mesma quantidade calórica poderia ser usada para consumir mais arroz ou vegetais, que promovem maior saciedade — compara Lucas.
João defende que o ideal é optar por bebidas zero calorias ou simplesmente água. Isso permite economizar calorias sem perder nutrientes essenciais, porque é melhor comer a fruta do que beber o suco dela.
— Mastigar uma laranja, por exemplo, oferece fibras que retardam a absorção de açúcar e aumentam a saciedade, algo que o suco não proporciona.
5. Doce de leite por pasta de amendoim
Trocar doce de leite por pasta de amendoim pode parecer saudável, mas, segundo os nutricionistas, o buraco é mais embaixo.
— A pasta de amendoim, por 20g, possui mais calorias do que o doce de leite. Sem controle nas porções, essa substituição pode acabar aumentando a ingestão calórica total — adverte Lucas.
Uma colher de sopa de doce de leite (20g) tem cerca de 70kcal, enquanto a mesma quantidade de pasta de amendoim tem 120kcal. Apesar do valor nutricional superior da pasta de amendoim, o excesso pode atrapalhar o déficit calórico, que é o objetivo principal buscado por quem quer emagrecer.
Já João acrescenta que a pasta de amendoim não é automaticamente uma escolha saudável. É preciso avaliar o contexto da dieta inteira. Ele sugere usá-la com moderação e focar na variedade alimentar.
6. Óleo de soja por óleo de coco
Trocar óleo de soja por óleo de coco não faz sentido para o emagrecimento, segundo os especialistas.
— O óleo de coco é rico em gorduras saturadas, enquanto o óleo de soja possui gorduras poli-insaturadas, que são mais recomendadas. Ambos são calóricos, e o ideal seria reduzir o consumo geral de óleos — recomenda Lucas.
Foto: Istock Getty Images (ge.globo)
Uma colher de sopa de óleo de soja tem cerca de 90kcal, o mesmo valor do que o óleo de coco. Apesar de diferenças na composição, nenhum deles é vantajoso para quem quer emagrecer.
— Essa troca também não traz benefícios claros para a saúde. É uma mudança que pode até piorar o perfil nutricional da dieta — afirma João.
Ele recomenda focar na redução geral de óleos, optando por métodos como grelhar ou cozinhar a vapor.
7. Frutas por oleaginosas
— Castanhas são saudáveis, mas muito calóricas. Trocar uma fruta de baixa densidade energética, como melão ou melancia, por uma porção de castanhas pode aumentar significativamente a ingestão calórica — comenta Lucas.
Por exemplo, 100g de melancia têm cerca de 30kcal, enquanto somente 30g de castanhas (uma pequena porção) contêm em torno de 180kcal. Apesar de as oleaginosas serem ricas em gorduras boas, o que é bom para a saúde, o excesso pode sabotar a dieta de emagrecimento.
Dieta de emagrecimento
Emagrecer exige consistência e escolhas que façam sentido no contexto geral da dieta.
— Não é o doce de leite, o pão francês ou o arroz branco que impedem o emagrecimento, mas a falta de equilíbrio e planejamento no déficit calórico a longo prazo — explica Lucas.
João finaliza com um conselho importante: dieta não precisa ser sinônimo de sofrimento. É preciso encontrar o equilíbrio entre prazer e saúde para garantir resultados duradouros.
Compreender o impacto real das trocas alimentares é essencial para evitar frustrações e adotar hábitos que realmente funcionem.
Fontes: ge.globo (João Muzzy é nutricionista especialista em emagrecimento e Lucas Eduardo Campos é nutricionista e profissional de Educação Física.)
Mulher aciona Justiça após virar alvo de chacota no trabalho por pedir licença-maternidade para cuidar de bebê reborn
Funcionária pede indenização por danos morais de R$ 10 mil, por considerar que teve maternidade deslegitimada e foi alvo de exposição vexatória.
Uma mulher entrou com uma ação judicial contra a empresa em que trabalha, em Salvador, após sofrer chacotas por pedir licença-maternidade para cuidar de um bebê reborn. A ação foi protocolada no Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT-BA) na terça-feira (27), e tem como objetivo pedir uma indenização de R$ 10 mil por danos morais.
Foto: TV Globo
A defesa da funcionária informou que o principal ponto da ação não é a concessão de licença-maternidade, mas sim os constrangimentos que a mulher tem sofrido no ambiente de trabalho. Após a divulgação do processo, os advogados da defesa receberam diversas críticas e decidiram retirar a ação na quinta-feira (29).
Segundo o documento, a mulher trabalha desde 2020 como recepcionista de uma empresa localizada no centro de Salvador. Ela solicitou a licença-maternidade de 120 dias, além do recebimento do salário-família, para poder cuidar do boneco hiper-realista, que considera como filha.
A empresa negou o pedido sob os argumentos de que a funcionária não é “mãe de verdade”. A mulher também teria sido constrangida diante de colegas, pois um superior informou que ela “precisava de psiquiatra, não de benefício”.
Na ação, a defesa da funcionária argumentou sobre as ofensas que a mulher sofreu na empresa. Segundo os advogados, a maternidade vai além da biologia e os cuidados com a bebê reborn requerem o “mesmo investimento psíquico e [o] mesmo comprometimento afetivo que toda maternidade envolve”.
Foto: Monickie Urbanjos
Mulher exige pagamento de indenização no valor de R$ 10 mil
A funcionária exigiu uma indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil, afirmando ter sofrido um “abalo psíquico profundo” após ter a maternidade deslegitimada. Além disso, ela exige a indenização por considerar que foi exposta ao ridículo e privada de direitos. O argumento apresentado pela defesa da funcionária é de que, ao submetê-la à exposição vexatória, a empresa rompeu a relação de boa-fé entre patrão e funcionário.
Ainda conforme a ação trabalhista, a mulher pede também a rescisão indireta de seu contrato com a empresa. Com isso, ela teria acesso à liberação do FGTS, da multa de 40% e das guias para habilitação no seguro desemprego.
Veja a lista de pedidos feitos pela funcionária ⬇️
- Pagamento das verbas rescisórias devidas na modalidade de rescisão indireta: aviso prévio indenizado; saldo de salário; férias vencidas e proporcionais + 1/3; 13º salário proporcional; liberação do FGTS + 40%; entrega das guias para o seguro-desemprego.
- Pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00.
- Condenação da empresa ao pagamento do salário-família retroativo desde a data do requerimento administrativo.
- Concessão dos benefícios da justiça gratuita.
Fonte:G1 Bahia
Jovem de 26 anos fica paraplégica após espremer furúnculo e quase morre: ‘tentei tirar o pus’
Mãe de um menino de três anos, Jessica da Silva Avelino não imaginava que sua vida mudaria completamente depois de tentar espremer um furúnculo no braço. A jovem de 26 anos, moradora do Espírito Santo, contou sua história para coluna ‘Viva Bem’, do portal Uol, e surpreendeu com o relato de quase morte.
Foto: Redes Sociais
Tudo começou em novembro de 2023, quando ela percebeu um furúnculo no braço esquerdo. “Nunca tinha tido um na vida, foi a primeira vez. Tive a atitude de tentar tirar o pus e nunca imaginei que isso mudaria toda a minha vida”, conta ao detalhar que a atitude teve as primeiras consequências. “Depois que apertei, ficou bastante inchado e muito vermelho ao redor. Comecei a usar soro fisiológico e tampava a região”.
Apesar do cuidado, Jessica relata que começou a sentir muitas dores, a ponto de precisar ser internada, mesmo depois do uso de muitos medicamentos que atuaram de forma paliativa. “Fui internada com suspeita de meningite e, em 30 de novembro, os exames mostraram uma bactéria no sangue. Logo depois, minhas pernas começaram a formigar. Comecei a andar pelo quarto tentando aliviar, mas no momento em que sentei, não consegui mais levantar. A paralisia já tinha tomado as duas pernas”.
A jovem lembra que precisou ser hospitalizada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de forma imediata, com risco de morte. “Fui rapidamente para a UTI, onde comecei a tomar antibióticos fortes. A bactéria poderia se espalhar pelo corpo e levar à morte ou deixar sequelas graves. Fiquei uma semana na UTI. Depois, fiz uma cirurgia para verificar se havia algo comprimindo a medula. Na região T7 [da coluna, na área do tórax] encontraram uma pequena quantidade de pus, mas nada estava comprimindo. Sem diagnóstico, fui transferida para outro hospital, em Vitória”.
Em sua nova internação, Jessica finalmente teve conhecimento do que se tratava. “Foi lá que os médicos descobriram que a bactéria se alojou na medula, causando uma inflamação medular, tudo decorrente do furúnculo. Fiquei mais 21 dias internada, tomando antibióticos. As dores lombares eram fortíssimas, agudas e constantes. Chorava dia e noite. Com o tempo, o antibiótico fez efeito, mas a paralisia permaneceu”.
“Os médicos explicaram que a paralisia ocorreu porque a bactéria se alojou justamente na região da medula responsável por transmitir informações para o cérebro. Como essa comunicação foi interrompida, meu corpo não responde da cintura para baixo. Mas existe uma chance de voltar a andar, já que foi uma inflamação e não houve lesão direta na medula”.
“Eu era uma pessoa ativa, amava dançar, pilotar, dirigir, trabalhar. Passei por um quadro de depressão, ansiedade, compulsão e ganhei peso”.
Atualmente, ela compartilha a rotina de tratamento nas redes sociais e afirma que não busca pensar em quando voltará a andar. “Hoje, vejo a vida de forma diferente. Aproveito o dia como se não houvesse amanhã. Voltei a fazer o que mais amo: dançar, sair e ser feliz —mesmo sendo cadeirante. Comecei a contar minha história em vídeos para alertar outras pessoas sobre o que pode acontecer. Meu objetivo é mostrar que viver com uma deficiência, seja ela qual for, pode ser uma aventura maravilhosa”.
Foto: brasilescola
Causas e tratamento
Em contato com a reportagem, a dermatologista do Hospital Anchieta, Tatiana Sabaneeff, explica o que pode ter causado a paraplegia da jovem. “Ao tentar manipular a lesão em casa, a paciente provavelmente facilitou a entrada da bactéria em camadas mais profundas da pele. Esse tipo de manipulação pode fazer com que a infecção ultrapasse a barreira cutânea, atinja vasos sanguíneos e se dissemine pela corrente sanguínea –um quadro que chamamos de bacteremia”.
“Uma vez na corrente sanguínea, a bactéria pode se espalhar para diferentes órgãos do corpo, como coração (levando à endocardite), pulmões (provocando pneumonias graves), rins, ossos (osteomielite) e até o sistema nervoso central. No caso de Jéssica, a bactéria se alojou na medula espinhal, causando uma mielite infecciosa, uma inflamação severa que comprometeu os nervos responsáveis pelos movimentos, levando à paraplegia”, explica.
“A possibilidade de recuperação dos movimentos depende de diversos fatores como a extensão e localização da lesão: lesões mais extensas ou localizadas em regiões críticas da medula geralmente têm pior prognóstico. Outro fator é o tipo de bactéria envolvida e a rapidez do tratamento, diz Diogo Haddad, neurologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. “A recuperação pode ser demorada e nem sempre com a completa recuperação dos movimentos. Isso vai depender da gravidade da infecção”, completa Isabella Albuquerque, infectologista do Hospital São Vicente de Paulo (RJ).
O que é furúnculo?
O furúnculo é uma infecção cutânea causada principalmente pela bactéria Staphylococcus aureus, que atinge a raiz de um pelo e provoca uma inflamação profunda na pele.
Entre as principais causas estão a má higiene, o suor excessivo, o atrito constante na pele, o sistema imunológico enfraquecido e condições como o diabetes.
O tratamento pode incluir o uso de compressas mornas para ajudar na drenagem espontânea do pus, além de antibióticos quando a infecção é mais extensa ou recorrente. Em alguns casos, pode ser necessária a drenagem médica do furúnculo.
Fonte: BNews
Atestados falsos são vendidos no centro de Salvador; médicos denunciam golpes e intimidações
Em tentativa de venda dos documentos falsos, vendedores cobraram R$ 30 por um dia de afastamento e R$ 180 por 14 dias. Número de consultas por veracidade dos documentos cresceu nos últimos anos.
Um grupo de pessoas tem vendido ao menos dez tipos de atestados médicos falsos, além de testes de gravidez, em Salvador. Os serviços ilegais são divulgados em uma plataforma digital.
Ao entrar em contato com o grupo através de um aplicativo de mensagens eles encaminham uma tabela com valores dos atestados. Por um dia, o grupo cobra R$ 30. Se a pessoa estiver interessada em parar de trabalhar por 14 dias, ela é orientada pelos criminosos a pagar R$ 180.
No documento, os falsários destacam a informação: “Nossos médicos são ativos com CRM válido. Tudo registrado no site oficial do CFM”. Em outro trecho, é dada garantia de suporte 24h em caso de dúvida.
Foto: Reprodução/TV Bahia
Médica relata golpe
A médica baiana Ana Teresa Cerqueira foi vítima da ação de venda de atestado falso. A profissional descobriu o golpe depois que uma empresa a procurou. A unidade recebeu o documento, desconfiou da autenticidade e acionou o Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb-BA).
“Me enviou um documento no padrão do atestado que a gente emite, com minha assinatura e carimbo, só que supostamente foi emitido em um dia que eu não estava nem trabalhando. Uma paciente que não passou por atendimento na unidade”, contou a médica.
A profissional registrou um Boletim de Ocorrência (BO) na Polícia Civil. Ela também revelou que colegas de profissão já foram intimidados a emitir atestados médicos sem que pacientes tivessem doentes.
Foto: Reprodução/TV Bahia
“Eu já atendi pacientes que me disseram que não tinham nada, mas queriam atestado. As vezes chegam na gente completamente agressivos, intimidando e você tem que fornecer o atestado. Nesses momentos a gente é orientado a ceder, porque são situações que a gente está em risco”, contou ressaltando que quando isso acontece, notifica o hospital com a justificativa de intimidação.
Segundo o Cremeb, o número de consultas de empresas para checar a veracidade dos atestados médicos tem crescido. Nos últimos quatro anos, a quantidade de documentos falsos aumentou sete vezes.
O Conselho Regional de Medicina sinaliza que neste período, 4.144 atestados médicos foram checados e 671 eram falsos.
“Tem tido um aumento tanto de procura, quanto da certificação de que aquele documento foi falsificado”, afirmou o diretor de fiscalização do Cremeb, Luciano Ferreira.
Flagra na rua
No Centro de Salvador, a produção da TV Bahia encontrou pessoas que orientam como conseguir atestado médico.
Ao ser questionado de como poderia fazer para conseguir um documento falso, um “vendedor” disse que a pessoa teria que pagar pela consulta, que custava R$ 200.
“Mas é garantido! Não vou lhe dizer os cinco dias, mas pelo menos os três dias aí ela lhe dá. Aí dependendo da sua conversa lá, possa ser que ele dê mais. Que, claro, você não vai dizer que não está com nada e que você quer só o atestado, né? Vai dizer que está com algum problema, né?”, explicou o homem.
O vendedor também orientou como falar para conseguir os dias de afastamento.
“Você vai dizer: ‘Não, eu estou com problema assim, eu tenho problema assado e tal. Já tenho tantos dias que eu fico em casa preso, sem poder trabalhar. Eu estava precisando pelo menos de uns dois ou três dias para poder fazer o encaminhamento médico, tá entendendo?’ Usa o seu argumento”.
Foto: Reprodução/TV Bahia
Grávida demitida por justa causa
Uma atendente grávida foi demitida por justa causa depois de apresentar seis atestados falsos para justificar faltas no trabalho em Salvador. A suspeita começou em 2022, quando a empresa percebeu que o nome médico estava escrito errado.
Em seguida, a empresa consultou a unidade indicada e confirmou que o médico já não trabalhava no local, nem tinha atendido a grávida. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) manteve a demissão e negou os pedidos da ex-funcionária como verbas rescisórias, horas extras, vale transporte e indenização pela estabilidade da gravidez.
Fonte: g1 BA e TV Bahia











