:: ‘Internacional’
Veja top 10 dos maiores salários da Seleção; Neymar fica fora da lista
A Seleção Brasileira de Futebol reúne alguns dos craques mais valorizados do futebol mundial. Entre os atuais convocados de Carlo Ancelotti, nomes como Vinicius Jr., Casemiro e Raphinha se destacam entre os mais bem pagos em seus respectivos clubes.
Embora Neymar faça parte do elenco e já tenha sido o terceiro jogador com maior salário do futebol mundial, o atacante do Santos não aparece no top 10 dos maiores salários da Seleção, levando em consideração somente a remuneração salarial.
Foto: Getty Images
Segundo o site Capology, especialista em finanças esportivas, Vinicius Jr. é quem recebe o maior valor entre os jogadores convocados: mais de R$ 11 milhões pelo Real Madrid. O jogador também é um dos mais valiosos da Copa.
Em segundo lugar, o volante Casemiro, que recebia um salário em torno de R$ 9 milhões no Manchester United, clube que oficializou sua saída no dia 10 de junho.
Raphinha, do Barcelona, aparece com o terceiro maior salário da Seleção Brasil, superior a R$ 7 milhões. Ederson, Fabinho, Marquinhos, Martinelli, Matheus Cunha, Ibañez e Bruno Guimarães completam a lista.
Veja jogadores com maiores salários da Seleção Brasileira:
- Vini Jr. – Mensal: R$ 11,2 milhões | Anual: R$ 146,2 milhões
- Casemiro – Mensal: R$ 9,4 milhões | Anual: R$ 122,6 milhões
- Raphinha – Mensal: R$ 7,5 milhões | R$ Anual: R$ 97,5 milhões
- Ederson – Mensal: R$ 7,1 milhões | Anual: R$ 92,4 milhões
- Fabinho – Mensal: R$ 6,3 milhões | Anual: R$ 81,9 milhões
- Marquinhos – Mensal: R$ 6,04 milhões | Anual: R$ 78,6 milhões
- Gabriel Martinelli – Mensal: R$ 4,85 milhões | Anual: R$ 63,1 milhões
- Matheus Cunha – Mensal: R$ 4,85 milhões | Anual: R$ 63,1 milhões)
- Ibañez – Mensal: R$ 4,4 milhões | Anual: R$ 57,2 milhões
- Bruno Guimarães – Mensal: R$ 4,3 milhões | Anual: R$ 56,1 milhões
Já entre os mais valiosos do torneio, o Brasil tem apenas um representante entre os dez primeiros colocados. Vinicius Júnior aparece na décima posição, com valor estimado em € 128,2 milhões, cerca de R$ 819 milhões.
O estudo foi elaborado a partir de dados da TransferRoom, plataforma especializada em mercado de transferências no futebol, e reúne jogadores das seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2026.
Fonte: portaldotupiniquim.com.br
Convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo 2026: veja lista de Ancelotti
O técnico Carlo Ancelotti anunciou na tarde desta segunda-feira (18/5) a lista dos 26 jogadores convocados para defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026. O Mundial será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Entre os nomes está Neymar, que era a principal dúvida na convocação. Com isso, ele entra para uma seleta lista de jogadores brasileiros que disputaram quatro Copas do Mundo (2014, 2018, 2022 e 2026).
Foto: Getty Images
Em coletiva de imprensa realizada após o anúncio, Ancelotti disse que o camisa 10 foi convocado porque acredita na contribuição que ele pode trazer para a Seleção.
“Escolhemos o Neymar não porque pensamos que vai ser um bom reserva. Escolhemos Neymar porque pensamos que pode contribuir com suas qualidades para a equipe. Que jogue um minuto, que jogue cinco minutos, que não jogue ou que jogue 90 minutos, ou que bata um pênalti”, afirmou o técnico italiano, que pela primeira vez disputa uma Copa do Mundo como treinador.
Segundo Ancelotti, a experiência de Neymar e seu desempenho nos últimos jogos pesaram na decisão de incluí-lo na lista.
“Fizemos toda a avaliação de Neymar no último ano e vimos que nesse último período ele jogou com continuidade, melhorou sua condição física. Pensamos que ele é um jogador importante e vai ser um jogador importante para essa Copa do Mundo. Ele tem o mesmo papel e a mesma obrigação que os outros 25. É um jogador experiente.”
Durante a coletiva, Ancelotti destacou que a experiência também foi um dos critérios usados para convocar os goleiros.
“Por isso também chamamos o Weverton, do Grêmio, porque jogadores de experiência, que não precisamos testar, não temos testado. Sabemos o valor e o poder da competição, porque eles estão acostumados com esta sensação. Sinto muito que outros não estejam aqui, como esteve Bento, por exemplo, como esteve Hugo Souza”, justificou.
Para surpresa de muitos, Weverton, que ainda não havia sido chamado pelo técnico, foi convocado como goleiro. Aos 38 anos, ele disputará a segunda Copa na carreira.
Outro ponto abordado na coletiva foi a ausência de João Pedro, jogador do Chelsea que atuou em diversos jogos da Seleção. O atacante de 24 anos é o artilheiro do time inglês na Premier League nesta temporada, com 15 gols e cinco assistências.
Foto: Getty Images
Apesar do bom desempenho, João Pedro ficou de fora da lista, o que foi repercutido pela imprensa internacional e lamentado por Ancelotti.
“Ficamos triste por João Pedro. Pela temporada que fez na Europa, ele provavelmente merecia estar nessa lista. Infelizmente, com todo o respeito possível, escolhemos outros jogadores”, afirmou.
A cerimônia de convocação aconteceu no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, e contou com a presença de dirigentes, convidados e imprensa.
Após uma série de apresentações e discursos, que duraram cerca de uma hora, Anceloti finalmente leu o nome dos convocados.
Durante o anúncio, o técnico afirmou que a lista não era perfeita, mas que acredita ser possível ganhar a Copa do Mundo.
“Teremos uma lista de podemos desenvolver um futebol de qualidade, com espírito coletivo, qualidade. A lista perfeita não é, estou certo disso. Tenho que dizer que não vai ganhar a Copa do Mundo a equipe perfeita, equipe perfeita não existe. Acho que pode ganhar a equipe mais resiliente. Queremos ser a equipe mais resiliente do mundo”, disse.
“Não tenho medo de dizer que queremos ganhar a Copa, porque há uma expectativa alta. A motivação é um aspecto importante para preparar essa Copa.”
Na próxima semana, os jogadores convocados se apresentarão na Granja Comary, em Teresópolis, onde iniciarão a preparação para a Copa do Mundo 2026.
A estreia do Brasil no Mundial está marcada para o dia 13 de junho, contra o Marrocos, em Nova Jersey.
Antes disso, a Seleção Brasileira fará dois amistosos preparatórios: um diante do Panamá, no Maracanã, e outro contra o Egito, já em solo norte-americano.
Confira os 26 jogadores convocados:
Goleiros
Alisson (Liverpool)
Ederson (Fenerbahçe)
Weverton (Grêmio)
Defensores
Alex Sandro (Flamengo)
Bremer (Juventus)
Danilo (Flamengo)
Douglas Santos (Zenit)
Gabriel Magalhães (Arsenal)
Ibañez (Al-Ahli)
Leo Pereira (Flamengo)
Marquinhos (PSG)
Wesley (Roma)
Meio-campo
Bruno Guimarães (Newcastle)
Casemiro (Manchester United)
Danilo (Botafogo)
Fabinho (Al-Ittihad)
Lucas Paquetá (Flamengo)
Atacantes
Endrick (Lyon)
Gabriel Martinelli (Arsenal)
Igor Thiago (Brentford)
Luiz Henrique (Zenit)
Matheus Cunha (Manchester United)
Neymar Jr (Santos)
Raphinha (Barcelona)
Rayan (Bournemouth)
Vini Jr (Real Madrid)
Fonte: https://www.bbc.com/
O câncer pode estar no DNA da sua família: maior estudo genômico do Brasil encontra mutação hereditária em 1 a cada 10 pacientes
Estudo pioneiro mostra que identificar a alteração genética antes de a doença aparecer pode mudar radicalmente o que médico e paciente fazem a seguir.
Foto: AdobeStock
Imagine descobrir, depois de um diagnóstico de câncer, que a doença não surgiu apenas por acaso —e que seus filhos, irmãos e pais podem carregar a mesma predisposição no DNA, sem saber. Foi exatamente isso que aconteceu com parte dos pacientes acompanhados pelo maior estudo genômico do câncer já realizado no Brasil.
O trabalho, publicado no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, sequenciou o genoma completo de 275 pacientes com câncer de mama, próstata ou intestino em hospitais públicos das cinco regiões do país.
O resultado mais impactante: 1 em cada 10 carregava uma mutação hereditária —uma falha no DNA que aumenta drasticamente o risco de câncer e pode ser passada de geração em geração.
O estudo faz parte do Mapa Genoma Brasil, iniciativa do Ministério da Saúde financiada pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), coordenada pelo Hospital BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.
O que isso muda na vida de quem tem câncer
Descobrir uma mutação hereditária não é apenas uma informação científica. Ela pode mudar o tratamento do paciente de imediato.
👩🏫 Parece complicado? Te explicamos.
➡️ Quem tem câncer de mama e carrega uma mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2, por exemplo, pode passar a ser elegível para uma classe de medicamentos chamada inibidores de PARP —drogas que funcionam em tumores com esse tipo específico de defeito genético. Sem o teste, o médico pode nem saber que essa opção existe para aquele paciente.
➡️ Já no câncer de intestino, pacientes com mutações em genes como MLH1, MSH6 ou PMS2 costumam apresentar tumores com uma característica chamada instabilidade de microssatélites —e isso indica que eles podem responder bem à imunoterapia, um tratamento que ativa o próprio sistema imunológico contra o câncer.
É uma mudança de rota terapêutica que só se descobre com o teste genético.
“Nem toda mutação muda a droga imediatamente, mas todas
mudam alguma coisa —a vigilância, a possibilidade de cirurgia
preventiva, o alerta para a família”, explica o urologista e
cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do
Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR)
e pesquisador principal do estudo.
O parente que ainda não sabe que está em risco
Talvez o achado mais urgente do estudo seja este: entre os familiares dos pacientes que tinham mutação e aceitaram fazer o teste, quase 40% também carregavam a mesma alteração no DNA —sem ter desenvolvido nenhum câncer ainda.
É aí que o diagnóstico genético muda de patamar. Quando a mutação é encontrada antes da doença aparecer, médicos conseguem iniciar protocolos de vigilância e prevenção em pessoas que, muitas vezes, nem imaginavam estar em risco.
- Quem carrega mutações no gene BRCA1, por exemplo, pode ter risco de câncer de mama que chega a 85% ao longo da vida —e de câncer de ovário, a até 60%. Para esses casos, as diretrizes médicas recomendam ressonância magnética anual a partir dos 25 anos e, dependendo da situação, cirurgia preventiva.
- Já mutações no gene TP53 —associadas à Síndrome de Li-Fraumeni— estão ligadas a um risco ainda mais amplo: mais de 90% de chance de desenvolver algum tipo de câncer ao longo da vida. O acompanhamento inclui ressonância magnética de corpo inteiro anual e vigilância multidisciplinar.
- No caso da Síndrome de Lynch, causada por mutações em genes como MLH1, o risco de câncer de intestino pode chegar a 80%, levando à recomendação de colonoscopias frequentes desde cedo.
“Só esperar e monitorar sem um plano estruturado não é uma
conduta adequada para quem carrega essas variantes de alto
risco”, diz Guimarães. “A diferença entre encontrar a mutação
antes ou depois do tumor aparecer pode ser, literalmente, a
diferença entre prevenir e tratar.”
Foto: AdobeStock
Uma mutação especificamente brasileira
O estudo também identificou casos da mutação TP53 R337H, associada à Síndrome de Li-Fraumeni, condição genética que aumenta fortemente o risco de câncer ao longo da vida.
Essa variante tem uma relação especial com o Brasil. Pesquisas lideradas pela oncogeneticista Maria Isabel Achatz, do Hospital Sírio-Libanês, mostraram que ela se disseminou no país a partir de um ancestral comum que viveu há cerca de 300 anos, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
Hoje, estudos estimam que a alteração esteja presente em cerca de 1 a cada 300 pessoas em algumas regiões brasileiras —uma frequência muito acima da observada em outros países. Segundo os pesquisadores, a presença recorrente da mutação no novo estudo reforça a importância de ampliar o rastreamento genético no país.
Por que estudar o DNA da população brasileira?
O trabalho também reforça um problema conhecido da genética: a maioria dos grandes bancos de dados usados no mundo foi construída principalmente com populações europeias.
Isso dificulta a interpretação de variantes genéticas encontradas em populações miscigenadas, como a brasileira.
No estudo, quase 59% dos participantes se declararam pardos, refletindo a mistura histórica entre populações indígenas, europeias, africanas e asiáticas no país.
Isso significa que algumas alterações genéticas identificadas em brasileiros ainda podem ser classificadas como “variantes de significado incerto” simplesmente porque faltam dados sobre populações semelhantes.
Para os pesquisadores, ampliar estudos genéticos no Brasil ajuda não apenas a entender melhor o risco de câncer na população, mas também a tornar diagnósticos e tratamentos mais precisos.
O que o SUS ainda não consegue oferecer
O modelo utilizado no estudo —com equipamentos de última geração e aconselhamento genético especializado— não está disponível na maioria dos hospitais públicos brasileiros.
“O Brasil tem menos de 500 geneticistas clínicos para uma população
de 215 milhões de pessoas, e os serviços de
oncogenética estão concentrados nos grandes centros
urbanos”, diz Guimarães.
📑 O caminho mais realista para ampliar esse acesso, segundo o pesquisador, começa com algo mais simples: um questionário de histórico familiar, aplicado por um enfermeiro treinado, que identifique quem tem maior probabilidade de carregar uma mutação hereditária.
Esse paciente seria então encaminhado a um centro de referência para fazer o teste —e a informação voltaria ao médico que o atendeu originalmente.
O estudo está em seu segundo ciclo. Nos próximos anos, deve fornecer base para que o Ministério da Saúde avalie a incorporação de testes genéticos e protocolos de cuidado específicos ao SUS.
Se você tem histórico de câncer na família, o que saber
- Câncer de mama, ovário, intestino ou próstata em parentes próximos —especialmente antes dos 50 anos— pode ser sinal de predisposição hereditária.
- Médicos podem solicitar avaliação em serviços de oncogenética disponíveis em hospitais de referência do SUS.
- O teste genético, quando indicado, identifica se há mutação e orienta a vigilância para outros membros da família.
- Encontrar a mutação antes do câncer aparecer permite agir preventivamente —com exames mais frequentes ou, em alguns casos, cirurgia preventiva.
Fonte: G1
Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024
Crescimento segue tendência mundial; tumores de mama, colorretal e fígado estão entre os que mais avançam entre pessoas jovens. Ministério da Saúde não tem dados englobando casos atendidos pela saúde suplementar.
Fazia sete anos que a operadora de caixa Jaqueline Chagas, então com 35 anos e hoje com 46, ouvia do ginecologista que o caroço que deformava seu seio era benigno. “Dava para sentir o nódulo no abraço”, relembra.
Fonte: G1
O que ela não sabia é que fazia parte de uma tendência crescente no Brasil e no mundo: o aumento de casos de câncer em pessoas de até 50 anos.
- Entre 2013 e 2024, o número de diagnósticos nessa faixa etária cresceu quase quatro vezes (284%) no Sistema Único de Saúde (SUS) — de 45,5 mil para 174,9 mil casos, segundo um levantamento feito pelo g1 com dados do painel DataSUS.
- Os tumores de mama, colorretal e fígado estão entre os que mais crescem nesse grupo.
- O câncer de mama lidera os diagnósticos, com alta de 45% entre 2013 e 2024 e mais de 22 mil novos casos anuais de mulheres de até 50 anos registrados no SUS.
Foi durante uma mamografia de urgência que Jaqueline descobriu o diagnóstico.
“A médica que me examinava olhou para a colega dela e disse: ‘Mais uma jovem com câncer de mama, essa é a terceira hoje’. Foi assim que descobri que tinha câncer”, conta.
“Eu congelei. Primeiro, tive certeza de que morreria.
Depois, pensei na minha mãe.”
Câncer em adultos de 18 a 50 anos no SUS
Evolução dos casos entre 2013 e 2024 (Brasil)
| Ano | Casos registrados | Variação acumulada |
| 2013 | 45.506 | – |
| 2016 | 49.024 | +7,7% |
| 2019 | 155.655 | +242% |
| 2022 | 174.565 | +283% |
| 2024 | 174.938 | +284% |
Em conversa com Lula, Trump afirma que americanos estão sentindo falta do café brasileiro
Seja no Brasil ou nos Estados Unidos, o café parece ter o poder de unir a todos. No diálogo ocorrido nesta segunda-feira (6), os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump conversaram sobre o aumento do insumo nos Estados Unidos.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
A reunião marcou uma recente aproximação entre os líderes. Essa é a primeira vez que ambos se reúnem desde que tiveram um breve encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Segundo a BBC News Brasil, Trump admitiu que os Estados Unidos sentem falta de alguns produtos brasileiros afetados pela tarifa de 50% imposta pelo seu governo sobre parte das exportações brasileiros desde agosto.
Foto: Win Mcnamee/ Getty Images via AFP e Shuttertsock
O líder americano falou especificamente do café, que acumula forte inflação, piorada com a tarifa imposta. O imposto acumulado pesou no bolso dos estadunidense, visto que o Brasil é o maior fornecedor do produto no mercado americano. Os Estados Unidos é o maior consumidor e importador do grão.
Já na comparação com um ano antes, o preço do café acumula alta de 20,9% nos EUA, também bem acima da inflação média do período 2,9%. Foi o maior aumento anual desde 1997.
Fonte: Bahia Notícias
‘Tomei vacina em 10 minutos’: estrangeiros vão às redes para elogiar o SUS
“Proteja o SUS “. Na pandemia, as redes sociais foram inundadas por imagens que defendiam o Sistema Único de Saúde. Agora, é a vez de os estrangeiros que estão no país elogiarem o atendimento médico daqui.
Recentemente, o correspondente do jornal americano “The Washington Post” Terrence McCoy, viralizou contando sobre a agilidade com que foi atendido em Paraty —sem pagar nada— após sofrer um acidente fechando o porta-malas de seu carro.
Foto: Arquivo Pessoal / Viva Bem Uol
‘Nem sabia que era de graça’
Ele não é o único. O TikTok está inundado de uma trend de estrangeiros elogiando os atendimentos que receberam de forma gratuita em hospitais públicos. Eles reconhecem os enormes desafios do SUS, mas também destacam as vantagens.
Su Temitope é nigeriana e está no Brasil há cinco anos. Ela gravou um vídeo destacando que uma das coisas que ama no país é o atendimento que recebe na UBS (Unidade Básica de Saúde).
“Na Nigéria, até os hospitais públicos são pagos. É como ir a um particular aqui no Brasil”, disse.
“A primeira vez que fui ao SUS foi para fazer minha carteirinha de atendimento. Foi muito rápido. E eu nem sabia que era de graça. Queria garantir que conseguiria ser atendida quando precisasse”, explicou Temitope.
Doente, foi à UBS certa vez. Estava cheio, mas o atendimento funcionou. “Peguei minha senha e algumas pessoas preferenciais passaram na minha frente, o que é normal. Na triagem, como meu caso não era grave, fui sinalizada com uma pulseira verde”, conta.
Ao fim da consulta, o médico deu uma receita e Temitope pôde pegar os medicamentos na farmácia popular.
“Não pagar nada foi muito chocante para mim –nem a consulta e nem os remédios.
Sei que é pago com impostos, mas é legal saber que posso correr para o SUS.
Pode demorar, sim, dependendo de onde você está. Mas eles vão te atender.
Ver que pessoas que não têm dinheiro podem conseguir tratamento,
diferentemente da Nigéria, me deixa feliz”.
Su Temitope
Atendimentos aos milhões
De acordo com dados do Ministério da Saúde, de janeiro de 2022 a dezembro de 2023, 520.188 estrangeiros foram atendidos nos cuidados primários à saúde. Em 2024, 337.187 deles passaram pelo SUS e, em 2025, os números já somam 256.946.
Em atendimentos especializados, a contagem segue alta: foram 3.087.075 atendimentos entre 2022 e maio de 2025. A atenção hospitalar para estrangeiros, no mesmo período, foi de 150.180. O governo gastou com estrangeiros, em três anos, R$ 486.530.713.
Isso acontece porque o SUS tem como regra atender todas as pessoas que estão em território brasileiro, o que inclui de turistas a visitantes temporários, independentemente de origem e status migratório.
Segundo comunicado enviado à reportagem, “os acolhimentos e atendimentos devem ocorrer sem exigir documentação específica que possa impedir ou colocar barreiras no acesso”.
Uma ‘picadinha’ em qualquer lugar do país
Nick Whincup é da Inglaterra, o berço da NHS (National Health Service, ou Serviço Nacional de Saúde) —a inspiração por trás da criação do SUS. Ele mora no Brasil há seis anos e, como tem plano de saúde, a primeira vez que precisou usar o SUS foi após ser mordido por um cachorro de rua no Rio de Janeiro.
“O animal estava deitado embaixo de um banco em que sentei. Não vi e acabei pisando no rabo dele. Mesmo de calça, minha perna sangrou. Cheguei ao hospital e me falaram que eu precisaria procurar uma UBS para a vacina”, contou
Na saída do atendimento, ele gravou um vídeo impressionado com a forma como foi atendido. “Não conseguia acreditar no quanto meu atendimento foi rápido. Como era para vacinação, a fila estava pequena, me atenderam em no máximo 10 minutos. A médica foi simpática e ainda falava inglês bem”, conta Whincup.
Foto: Instagram / Uol
Ele precisaria de quatro doses de vacina antirrábica. Foi instruído sobre os intervalos, recebeu um comprovante e ouviu que poderia receber a “picadinha” em qualquer lugar do país —uma das preocupações era por ter uma viagem marcada para Salvador.
Seu registro rendeu elogios à equipe de atendimento. Após o vídeo viralizar, um representante do Ministério da Saúde entrou em contato com ele, agradecendo o elogio. E também falou com a Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro, que repassou o reconhecimento para as atendentes do dia.
Ter à disposição uma vacina contra a raiva parece banal, mas, recentemente, uma brasileira narrou a saga para conseguir as doses do imunizante após ser mordida por um macaco na Tailândia. Ela chegou a gastar R$ 4.200 no país asiático para tomar vacinas. E mais uma quantia no Japão, para onde seguiu viagem. Acabou retornando ao Brasil porque teve uma reação alérgica e não conseguia atendimento no Japão.
Nem tudo são flores
Para Temitope, que não tem atendimento médico gratuito em seu país, é chocante ouvir um brasileiro reclamar do SUS, mesmo com as limitações do sistema de saúde.
Foto: Instagram / Uol
“Quando as pessoas já estão acostumadas com o que têm, vão querer algo melhor. Como vim de um lugar sem nenhum acesso, acho uma maravilha. Vejo pessoas se irritando, brigando com enfermeiras, mas prefiro ficar calada, porque acho incrível ter um hospital para ir”, disse.
“Em muitos países, as pessoas vão nascer e morrer sem conhecer as delícias do atendimento público de saúde.”
Su Temitope
Para Whincup, que vem de um país onde a oferta —e os problemas— também existem, a percepção é outra. “Saí do país há 15 anos e sempre houve reclamações. Hoje sei que o número de reclamações contra o NHS aumentou”, conta.
Ele usa como exemplo tratamentos contra o câncer. Em casos graves, em que o paciente precisa ter uma consulta entre três e seis meses, o NHS pode demorar mais tempo do que isso. Problemas parecidos também afetam o SUS.
O tempo de espera é, na opinião de médicos ligados à criação do SUS no Brasil, um dos principais gargalos, sobretudo no atendimento secundário (acesso a especialistas, por exemplo, cardiologista) e terciário (hospitais de grande porte, acesso a cirurgias, por exemplo).
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Uma pesquisa com 1.500 brasileiros, em 2024, mostrou que brasileiros da classe C são impactados pela longa espera no SUS. 60% afirmam que o tempo de espera para consultas com especialistas é muito longo. A mesma reclamação vale para exames (56%) e consulta com clínicos gerais (46%).
No mesmo levantamento, feito pelo Instituto Locomotiva, 94% concordam que reduzir o tempo de espera para consultas e exames deveria ser uma prioridade.
“Só usei o SUS uma vez, para vacina, então só posso falar da minha experiência, que foi ótima.
Não uso o NHS há anos, mas acredito que as pessoas do Reino Unido têm um
bom atendimento de saúde gratuito, só não é perfeito”.
Nick Whincup
Whincup diz ter orgulho do NHS, mas, assim como os brasileiros, gostaria que o serviço melhorasse.
Fonte: Viva Bem/Uol
Bahia pode perder 50 toneladas de manga com ameaça de tarifaço dos EUA
Setor de produção vê inviabilidade de direcionamento da carga para o comércio interno. Saiba se tarifaço altera o preço da fruta.
Foto: Heckel Junior (Seagri)
Com a iminente aplicação da tarifa de 50% dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros a partir do dia 1º de agosto, a Bahia pode perder até 50 toneladas de manga produzidas no Vale São Francisco. O prejuízo pode ser ainda maior, uma vez que 60% da produção da fruta em todo o estado é escoada para o país norte-americano – que é o segundo maior comprador do estado –, de acordo com Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
“A colheita começa em setembro. Estamos falando de um produto altamente perecível e não há tempo hábil para encontrar mercados alternativos. [..] Se essa loucura continuar, outros mercados serão abertos, mas a fruticultura é emblemática e urgente para evitar desemprego e insegurança na atividade”, frisa.
A perda de parte da produção de manga pode ocorrer por desafios logísticos e de mercado. O principal consumidor da fruta cultivada na Bahia é a União Europeia, principalmente a Holanda, que é a porta de entrada do produto em outros países do Velho Continente, como Alemanha e França. Os Estados Unidos, que vêm em segundo lugar, compra em altas quantidades em janelas de exportação – daí o empenho logístico de alto porte.
Na região do Vale São Francisco, onde a produção baiana de manga é liderada por Juazeiro e Casanova, se estendendo até Pernambuco, 20% do que é exportado nos 50 mil hectares de terra vai para os Estados Unidos. Isso equivale a 50 mil toneladas da fruta em uma janela de exportação – que dura, aproximadamente, quatro meses, sendo que a atual iniciou no final de julho e vai até meados de novembro.
Em 2024, a exportação foi menor, com 36 mil toneladas sendo enviadas para os norte-americanos. Neste segundo semestre, havia a expectativa de restabelecimento da média, com a saída de 48 mil a 50 mil toneladas do Vale São Francisco, mas elas estão sendo frustradas com a falta de acordo entre os governos brasileiro e americano.
Foto: Alex Dantas/Correio 24 horas
A manga vai ficar mais barata para os baianos?
Nesse contexto, conforme afirma Tássio Lustosa, diretor-geral da Associação de Produtores e Exportadores de Hortigranjeiros e Derivados do Vale São Francisco (Valexport), defende que não há como redirecionar o produto para o mercado interno e afirma que os produtores devem manter o preço.
“Com o tarifaço, não temos para onde redirecionar, porque só exportamos 20% do que é produzido e os outros 80% ficam no mercado interno. Essa quantidade de 50 mil toneladas de manga não pode ser redirecionada para o mercado interno, porque isso vai reduzir o preço da comercialização da manga e inviabilizar a comercialização da fruta. Sem conseguir vender, não conseguimos pagar nem a colheita, o que é preocupante”, diz.
A tendência é que a próxima carga da fruta embarque para os Estados Unidos no dia 2 de agosto, saindo de Salvador, Fortaleza e Natal. Se não houver reversão da tarifa de 50%, já há uma articulação dos produtores para que apenas 30% das mangas produzidas no Vale São Francisco sejam encaminhadas para a população estadunidense. Ou seja, o tarifaço pode gerar queda de 70% no volume de exportação da região e prejuízo de U$ 32 milhões (R$ 179 milhões).
“É um prejuízo imenso e, diga-se de passagem, um prejuízo direto. Quando esse impacto é mensurado, é calculado o que vai deixar de ser pago e uma dessas coisas é a mão de obra. Se não há venda, não há como manter a mão de obra, então demissão é a primeira coisa que acontece. São 7 mil pessoas que trabalham nos 51 mil hectares de terra cultivada que podem ser afetadas só nessa região. Será um caos se essa tarifa seguir”, declara Tássio Lustosa.
Arthur Cruz, coordenador de Conjuntura Econômica da Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia (SEI), discorda. Para ele, o setor não deve ter outra alternativa a não ser baratear o preço da manga. “Não sei por que eles estão vendo essa dificuldade de vender para o mercado interno. Sim, se eles fizerem isso, eles vão vender a preços mais baixos, porque vai ter uma oferta maior do produto que eles gastaram muito para vender no padrão exigido pelos Estados Unidos, mas é a única saída. Ou eles fazem isso, ou perdem 100%”, diz.
Fonte: Correio 24 horas
Repatriar o corpo: entenda como funciona o processo em caso de morte no exterior
Procedimento exige documentação extensa, pode custar até R$ 200 mil e depende de regras sanitárias do país onde ocorreu a morte
Foto: Internet
A notícia da morte de Preta Gil, aos 50 anos, na noite de domingo, 20, nos Estados Unidos, trouxe à tona uma dúvida que acomete muitas famílias em momentos de luto longe de casa: como funciona o processo de repatriação de um corpo? A cantora, filha do músico Gilberto Gil, realizava um tratamento experimental contra o câncer no intestino, e, segundo nota publicada pela família, os trâmites para trazer o corpo de volta ao Brasil já foram iniciados.
Segundo a advogada internacionalista Paula Alexandrina Vale Medeiros, vice-presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB/GO, o primeiro passo a ser tomado pela família, assim que informada da morte, é reunir todos os documentos hospitalares e aqueles que atestem oficialmente o falecimento, além da documentação de identidade brasileira da pessoa. Com isso em mãos, é necessário dirigir-se pessoalmente ao Consulado do Brasil mais próximo e noticiar a morte do brasileiro.
Caso não estejam no país onde ocorreu o falecimento, a família pode autorizar alguém por escrito a realizar esse procedimento em nome deles. “É importante que o Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores) seja sempre comunicado para prestar auxílio à família, facilitando todos os trâmites”.
Embora o procedimento seja padronizado pela legislação brasileira, pode haver variações. “Normalmente, não há diferenças de procedimento entre países. No entanto, exigências sanitárias podem diferir, dependendo do país onde houve o óbito”, explica a advogada.
Para casos ocorridos nos Estados Unidos, como é o de Preta Gil, é exigida uma série de documentos. “Registro de óbito preenchido (disponível no site GOV.br), juntamente com documento que possa identificar o brasileiro falecido, número de título de eleitor, inscrição no INSS, inscrição no PIS/PASEP, número de benefício previdenciário (caso seja beneficiária do INSS) ou carteira de trabalho, certidão local de óbito, certidão de cremação (se for o caso), passaporte válido. Observando-se que todos os documentos estrangeiros devem estar devidamente apostilados — autenticação internacional de documentos”.
O tempo para o corpo chegar ao Brasil é bastante variável. Conforme a especialista, não há um período pré-fixado, já que dependerá das causas da morte, distância entre os países, regulamentações legais e presença das documentações necessárias. “Geralmente, leva alguns dias, podendo chegar a semanas, a depender dos exames necessários no corpo”.
O custo também pode ser significativo, a depender do país onde tenha ocorrido a morte, e dos custos com embalsamamento do corpo. Com isso, podem variar aproximadamente de R$ 30 mil a R$ 200 mil.
Segundo Paula, a responsabilidade pelo pagamento é, quase sempre, da família: “Normalmente são custeados pela família do brasileiro falecido. Importante notar se havia seguro-viagem que cobriria as despesas com o traslado”.
Contudo, o governo brasileiro pode, em alguns casos, arcar com os custos. Recentemente, o presidente Lula assinou decreto que permite que o governo pague tais despesas, mediante a comprovação de incapacidade financeira da família, quando o falecimento ocorrer em circunstâncias que causem comoção pública, quando a pessoa falecida não possuir seguro-viagem que custeie os gastos e quando houver disponibilidade financeira do governo para arcar com as referidas despesas.
Se houver suspeita de crime ou causas desconhecidas, o processo pode se prolongar ainda mais. Nesses casos, o corpo poderá ter sua liberação retardada até que as investigações policiais ou científicas possam realizar eventuais perícias, sendo então liberado após, mediante a apresentação de documentos exigidos pela Lei, explica. Ela acrescenta que, em caso de doenças contagiosas, o transporte só é liberado após “quarentena” ou com uso de urna especial para o traslado.
Fonte: terra.com
Homem que usava cordão morre após ser puxado para dentro de máquina de ressonância magnética nos EUA
Segundo a polícia local, ele entrou sem autorização na sala onde exames são realizados.
Um homem que ficou gravemente ferido na última quarta-feira (16) após entrar em uma sala de ressonância magnética e ser puxado para dentro da máquina pelo seu colar morreu no dia seguinte. O caso aconteceu em Long Island, nos Estados Unidos.
Foto: Freepik / O Globo
A vítima de 61 anos usava uma “grande corrente metálica” no pescoço quando entrou na sala do Nassau Open MRI em Westbury, em Nova York, às 16h34 da quarta-feira, de acordo com o Departamento de Polícia do Condado de Nassau.
No entanto, ele não tinha autorização para entrar na sala. Ser puxado para dentro da máquina o fez ter um episódio clínico. Em seguida, ele foi levado para um hospital, onde morreu às 14h36 de quinta-feira (17).
A polícia do Condado de Nassau informou em um comunicado à imprensa na sexta-feira que a investigação sobre o episódio continuava. Um porta-voz do departamento afirmou que não havia outras informações disponíveis.
O Nassau Open MRI não respondeu a um pedido de comentário feito pelo The New York Times. A empresa oferece exames de ressonância magnética fechados e abertos, de acordo com seu site. Uma ressonância magnética aberta envolve um aparelho com laterais abertas, em vez de um tubo fechado.
Máquinas de ressonância magnética utilizam ímãs e correntes de radiofrequência para produzir imagens anatômicas detalhadas. A força magnética de uma máquina de ressonância magnética é forte o suficiente para arremessar uma cadeira de rodas através de uma sala, de acordo com o Instituto Nacional de Imagem Biomédica e Bioengenharia.
Os pacientes são aconselhados a remover joias e piercings antes de entrar em uma máquina de ressonância magnética, e pessoas com alguns implantes médicos, particularmente aqueles que contêm ferro, não devem se submeter a exames de ressonância magnética.
Lesões e mortes envolvendo aparelhos de ressonância magnética já ocorreram no passado. Em 2001, um menino de 6 anos morreu quando um tanque de oxigênio metálico foi puxado para dentro de um aparelho enquanto ele realizava um exame.
Um homem morreu na Índia em 2018 ao entrar em uma sala de ressonância magnética carregando um tanque de oxigênio. Em 2023, uma enfermeira na Califórnia foi esmagada e precisou de cirurgia após ficar presa entre um aparelho de ressonância magnética e uma cama de hospital que havia sido puxada em direção ao aparelho pela força magnética do aparelho.
Fonte: O Globo
Caso Juliana Marins: especialistas listam possíveis erros antes e depois do acidente em vulcão na Indonésia
Montanhista caiu de um penhasco e foi encontrada morta três dias depois. Especialistas apontam falhas na condução, ausência de equipamentos obrigatórios e demora no resgate como fatores críticos; socorristas se defenderam em post.
A morte da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, após cair de um penhasco no Monte Rinjani, na Indonésia, provocou comoção e levantou dúvidas sobre as condições de segurança em trilhas internacionais de alto risco.
Juliana desapareceu no sábado (21), após se separar do grupo de cinco turistas que subia a trilha junto. Seu corpo só foi localizado na terça-feira (24), a mais de 600 metros abaixo da trilha.
Especialistas em montanhismo, guias experientes e turistas que já estiveram no local apontam falhas graves que podem ter contribuído para a tragédia.
A Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas) se defendeu de críticas ao resgate: “Fazer trilha até o Monte Rinjani é um esporte de turismo extremo. Tenha respeito e conheça seus limites. Quando acontecer um acidente, não culpe os socorristas sem entender o que eles passam.”
Foto: Skyseeker/Flickr/Creative Commons/G1
Falta de exigência de equipamentos de segurança
Segundo pessoas que já fizeram a trilha do Monte Rinjani, o local não exige que os turistas levem itens básicos de segurança e proteção, como cobertor térmico, casaco ou luvas.
A triatleta, bióloga e escaladora Isabel Leone, que esteve no Monte Rinjani há dez anos, lembrou que no Brasil, provas em montanhas exigem esse tipo de equipamento.
“Não tem obrigação de equipamentos de emergência. Hoje você faz qualquer prova aqui em Itatiaia, você tem que
levar cobertor, casaco, luva, gorro. Lá (na Indonésia) não, eles não exigem nada”, comentou Leone
Abandono na trilha
Pessoas que estiveram junto a Juliana na trilha contam que ela se sentiu cansada no segundo dia de subida e pediu para descansar.
Contudo, o guia seguiu com os demais e só retornou minutos depois, segundo informações da família da brasileira. Ao Fantástico, o guia Ali Musthofa, de 20 anos, disse que ficou apenas três minutos à frente de Juliana e voltou para procurá-la ao estranhar a demora da brasileira.
Especialistas alertam que em trilhas de alto risco, o grupo deve andar junto o tempo todo, sob supervisão visual direta do guia.
“A atitude do guia de se separar de um ou outro participante está incorreta. Se começaram em grupo, precisam terminar em grupo. Todos precisam manter contato visual e orientação pela pessoa mais experiente do grupo, que no caso era o guia”, explicou a montanhista Aretha Duarte.
Silvio Neto, presidente da Associação Brasileira de Guias de Montanha e montanhista há mais de 25 anos, reforçou a necessidade de acompanhamento constante.
“O ideal é que ela não fique sozinha, sempre amparada. (…) O ideal é sempre manter o grupo junto. Mas a gente
sabe que grupos mesmo pequenos são heterogêneos”, comentou Silvio.
Para montanhistas como Aretha Duarte, permitir que a trilheira ficasse sozinha foi uma falha grave. Mesmo com ritmos diferentes, cabe ao guia adaptar a caminhada ao mais lento e garantir a segurança de todos.
“Se não é possível todo mundo manter o ritmo mais forte, todos precisam
seguir o ritmo do mais lento para seguirem juntos e em segurança”, completou Duarte
Falta de preparo de guias
Relatos de quem já esteve lá apontam que muitos guias andam descalços, sem proteção térmica adequada, levando pouca água e comida. Essas informações levantam suspeita sobre a qualidade da formação dos guias locais. Segundo especialistas, isso mostra um despreparo estrutural da atividade turística na região.
“A precariedade dos guias lá é grande. Vários andando descalço. (…)
Levando peso absurdo, pouca água, pouca comida”, disse Leone.
Foto: Reprodução redes sociais/G1
Terreno instável e clima extremo
O Monte Rinjani, com 3.721 metros de altitude, é conhecido por seus riscos. Desde 2020, o Parque Nacional do Monte Rinjani registrou 190 acidentes, com 9 mortos e 180 feridos, incluindo 44 estrangeiros.
A trilha para chegar ao topo da montanha passa por áreas íngremes com areia solta, pedras grandes e encostas perigosas. O clima muda rapidamente, com frio intenso, chuvas repentinas e baixa visibilidade.
“É muita chuva, frio intenso e condições bem traumáticas. O clima mudava muito rápido. Chovia, barraca arrastava. Ele cobra bastante de você”, contou Claudio Carneiro, cinegrafista que esteve no Monte Rinjani, para a gravação do Programa Planeta Extremo.
“Senti muito frio, meus dedos quase congelados, duros, e eu comecei a passar mal,
aquela poeira, tinha que botar uma canga no nariz. E eu falei que não vou, não quero mais.
Vou sentar aqui”, completou Isabel Leone.
Ao lembrar da sua experiência no local, Leone avaliou que ela poderia ter tido o mesmo destino de Juliana.
“É um lugar lindo, incrível, por isso atrai tanta gente. Só que esse passeio atrai gente sem experiência, como eu na época. Hoje eu vejo o risco que eu passei. Olho a história dela, me comoveu bastante e vejo o risco que eu passei”, disse.
Resgate lento e desorganizado
Embora um drone tenha localizado Juliana ainda no sábado, ela só foi alcançada por socorristas três dias depois. Especialistas apontam que o tempo perdido pode ter sido crucial para sua sobrevivência.
“O tempo realmente pode fazer a diferença entre a vida e a morte. Se a equipe não
tem condição de fazer o resgate imediato, é necessário acionar as autoridades locais,
bombeiros, embaixada, seguro de viagem”, comentou Aretha Duarte.
Juliana chegou a ficar mais de 24 horas desaparecida no desfiladeiro. As buscas só foram concluídas no 4º dia de operação.
Segundo relatos, um dos principais problemas enfrentados pelas equipes de resgate no primeiro dia de busca foi a falta de cordas com comprimento suficiente para alcançar o local onde ela estava.
Nesse momento, Juliana estava a cerca de 300 metros da trilha e a corda que a equipe levou para o local tinha metade desse tamanho.
A falha de planejamento se agrava por conta da distância entre o ponto do resgate e a base da montanha, que era percorrida em cerca de 6 horas.
Foto: Reprodução TV Globo/G1
Informações desencontradas
Outro problema grave foi a confusão na divulgação de informações, o que deixava os familiares de Juliana mais desesperados.
Inicialmente, foi divulgado que Juliana havia recebido água e comida, mas a família e o embaixador brasileiro desmentiram a informação no dia seguinte. A comunicação foi considerada confusa e pouco transparente por todos que acompanhavam à distância.
Uso tardio e limitado de tecnologia
Drones foram usados, inclusive com câmera térmica, mas a operação não conseguiu localizá-la com precisão a tempo.
Muitas pessoas no Brasil questionaram nas redes sociais a falta de efetividade no uso da tecnologia. A situação levanta dúvidas sobre o preparo técnico das equipes locais de resgate.
Responsabilidade da agência contratada
Especialistas lembram que a empresa contratada por Juliana tinha responsabilidade civil sobre o acidente e deveria ter tomado providências rápidas, inclusive com suporte emergencial e acionamento de autoridades.
“Existe uma responsabilidade civil inerente à atividade. Era importante
que a agência tivesse a responsabilidade pelas demandas referentes ao acidente,
imediatamente, o quanto antes”, analisou Aretha.
“Ela contratou uma agência e um guia, ela estava com certeza considerando receber orientações e uma rede de apoio de pessoas experimentadas, suficientemente certificadas para que pudessem ofertar segurança”, comentou a montanhista profissional.
Foto: Reprodução TV Globo/G1
Obstáculos diplomáticos e logísticos
O pai de Juliana tentou viajar à Indonésia para acompanhar as buscas, mas enfrentou atrasos devido ao fechamento do espaço aéreo no Catar, por conta do conflito entre Israel, EUA e Irã.
O governo brasileiro prestou apoio, mas a distância dificultou a articulação rápida das ações para acelerar o resgate.
Fonte: G1







Fonte: AdobeStock



