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:: ‘Saúde’

Pacientes do SUS poderão ser atendidos por planos de saúde a partir de agosto

Adesão será feita por edital do Ministério da Saúde e da ANS. Meta inicial é converter R$ 750 milhões de dívidas de ressarcimento em consultas, exames e cirurgias em áreas estratégicas para a saúde pública.

A partir de agosto, os pacientes da rede pública poderão ser atendidos também por planos de saúde em todo o Brasil. A expectativa é que, neste primeiro momento, R$ 750 milhões em dívidas de ressarcimento ao SUS adquiridas pelas operadoras sejam convertidas em mais consultas, exames e cirurgias com foco em áreas estratégicas e conforme a demanda apresentada pelos estados. A medida, que faz parte do programa Agora Tem Especialistas, visa ampliar o atendimento e reduzir o tempo de espera na atenção especializada.  

WhatsApp Image 2025-07-28 at 17 (1).jpgFoto: João Risi/MS

A portaria que viabiliza a troca de dívida de ressarcimento ao SUS por atendimento foi apresentada, nesta segunda-feira (28/7), pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, e pela presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Carla de Figueiredo Soares.  São ações do Agora Tem Especialistas voltadas à mobilização da estrutura de saúde privada para aumentar a capacidade de atendimento da rede pública. Para isso, o governo federal possibilitará aos planos de saúde converterem em serviços especializados as dívidas que têm com o SUS. Elas ocorrem quando não são ressarcidos valores referentes a procedimentos realizados pela rede pública e não pelos planos contratados.  

O ministro da Saúde ressaltou a criação de um modelo no SUS, que transforma dívidas de ressarcimento dos planos de saúde em mais exames, cirurgias e consultas especializadas, levando os pacientes do sistema público de saúde até onde estão os especialistas e os equipamentos, inclusive na rede privada, sem que paguem nada. “É a primeira vez na história do SUS que implementamos um mecanismo como esse. As dívidas que antes iam para o Fundo Nacional de Saúde, mas não se convertiam em atendimento, agora viraram ações concretas para reduzir tempo de espera por atendimento e dar dignidade a quem mais precisa”, disse Alexandre Padilha.

Para o ministro da AGU, essa iniciativa é o resultado de um trabalho técnico intenso e colaborativo entre a AGU e o Ministério da Saúde, com o objetivo de oferecer à sociedade brasileira um programa eficiente, capaz de enfrentar um desafio real e complexo: ampliar o acesso a especialistas no SUS. “Essa mobilização abre uma oportunidade de ouro para darmos um salto extraordinário na qualidade do atendimento prestado à população brasileira”, afirmou Jorge Messias.

Já a diretora-presidente da ANS ressaltou que a inovação trazida pelo Agora Tem Especialistas vem acompanhada de mecanismos sólidos de fiscalização, controle e monitoramento. “Todos os instrumentos da ANS permanecem ativos — com multas e penalidades, se necessário. Não há qualquer espaço para que operadoras deixem de atender sua carteira de clientes para priorizar o SUS. Pelo contrário: é do interesse das operadoras que aderirem ao programa ampliar sua capacidade de atendimento, beneficiando tanto os usuários dos planos quanto os pacientes do SUS”, esclareceu.

Mais atendimentos para a população e vantagens para as operadoras 

Viabilizada por uma portaria conjunta do Ministério da Saúde e da Advocacia-Geral da União (AGU), a oferta de assistência aos pacientes do SUS pelos planos de saúde atenderá ao rol de procedimentos do programa Agora Tem Especialistas, que prioriza seis áreas em que há maior carência por serviços especializados:  oncologia, oftalmologia, ortopedia, otorrinolaringologia, cardiologia e ginecologia. Também será considerada a demanda dos estados e municípios, que vão apresentar as suas necessidades. Para participar, os planos de saúde devem aderir ao edital conjunto do Ministério da Saúde e da ANS.  

Para usufruírem do benefício de converter a obrigação do ressarcimento em prestação de serviços, as operadoras de planos de saúde precisam aderir de forma voluntária ao programa. Para isso, devem comprovar capacidade técnica e operacional, além de disponibilizar uma matriz de oferta que atenda às necessidades do SUS. 

Entre as vantagens da adesão estão: regularidade fiscal, uso da total capacidade dos hospitais conveniados e redução de litígios administrativos e judiciais.  

Foto: João Risi/MSFoto: João Risi/MS

Da adesão dos planos de saúde à prestação dos serviços especializados 

O primeiro passo é solicitar ao Ministério da Saúde, via plataforma InvestSUS, a possibilidade de participação. Em seguida, a pasta consultará a regularidade da operadora. Posteriormente, avaliará se os serviços de média e alta complexidade ofertados pelos planos de saúde atendem às demandas do SUS. Caso esses atendimentos supram as necessidades da rede pública, a adesão é aprovada. Os valores a serem convertidos em atendimento deverão ser negociados  com a ANS ou com a Procuradoria-Geral Federal; nesse último caso, para dívidas ativas. 

Ao SUS será, então, disponibilizado um rol dos serviços ofertados conforme a demanda existente no complexo regulatório local e regional. Funcionará como uma prateleira de atendimentos especializados com os quais os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão contar. A partir de então, os hospitais conveniados aos planos de saúde já poderão iniciar os atendimentos. 

Definição de critérios por transparência e equidade 

O programa Agora Tem Especialistas definiu vários critérios por transparência e equidade. A distribuição do serviço a ser prestado pelas operadoras, por exemplo, seguirá percentuais de atendimento para cada região do país. Isso para garantir mais serviços de saúde nas localidades que mais precisam. 

Contudo, para evitar a pulverização do atendimento, para receberem pelo programa, os planos de saúde precisam realizar mais de 100 mil atendimentos/mês. De forma excepcional, será considerado valor mínimo de 50 mil/mês para planos de saúde de menor porte. Isso no caso de atendimentos de média e baixa complexidade realizados em regiões cuja demanda por esse tipo de serviço não seja plenamente atendida.  

Critérios clínicos e de prioridade serão utilizados para regular o atendimento, que, com apoio técnico do Ministério da Saúde, será monitorado pelos estados, Distrito Federal e municípios.  

Pacientes do SUS também poderão ser atendidos por planos de saúde sem custo  para o usuário e sem impactar o atendimento nas unidades públicas. 💡 A  novidade faz parte da integração comFoto: Ministério da Saúde

Atendimento mais ágil e resolutivo 

Uma das principais inovações do Agora Tem Especialistas vai garantir que os serviços sejam mais ágeis, resolutivos e centrados no paciente. Com base em uma tabela própria, o programa vai remunerar o prestador do serviço somente após a finalização de combos de cuidado do SUS para atendimentos especializados.  

Isso significa que os combos de cuidados, ou seja, as Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs)  – pacote de serviços que inclui consultas, exames e tratamentos, inclusive cirurgias – deverão ser realizados em prazos definidos. A operadora só será remunerada após a conclusão do conjunto de atendimentos.  Atualmente, o SUS oferece OCIs em ginecologia, cardiologia, oncologia, ortopedia, otorrinolaringologia e oftalmologia, especialidades priorizadas pelo programa. 

Os serviços prestados pelos planos de saúde vão gerar o Certificado de Obrigação de Ressarcimento (COR), necessário para abater a dívida com o SUS.  

Fonte: Ministério da Saúde / gov.br

Café com leite faz bem? Veja a proporção ideal e quem deve evitar

Especialistas recomendam diluir o café no leite para reduzir acidez e evitar desconfortos gástricos. Combinação fornece antioxidantes, proteínas e cálcio, contribuindo para foco, saciedade e saúde óssea.

café com leite faz parte da cultura do brasileiro e também é consumido em diversos países, embora cada lugar tenha sua versão própria, com nomes, proporções e modos de preparo distintos.

No Brasil e na América Latina, costuma-se usar o café coado. Na Europa, são mais comuns as versões com expresso e leite quente ou vaporizado. E cafeterias mais modernas adaptaram a receita com espumas, xaropes e personalizações.

Na França, é chamado de “café au lait”. Na Itália, “caffè latte” e, na Alemanha, “Milchkaffee”. No Brasil imperial, tomar café com leite era um hábito ligado à elite, porque o leite era um produto caro e difícil de conservar. Mas qual é o valor nutricional desta bebida? Quais cuidados devem ter para otimizar seus benefícios? Crianças podem consumi-lo? Qual é a proporção ideal de leite e café?

A combinação pode trazer benefícios quando consumida com moderação e dentro de um contexto alimentar saudável, para pessoas que não são intolerantes, destaca a nutricionista Michelle Ferreira, do Instituto Nutrindo Ideais.

Café com leite reduz acidez, traz energia e saciedade, mas atenção a intolerâncias e excesso — Foto: Adobe StockFoto: Adobe Stock/G1

Benefícios do café

  • Fonte de antioxidantes: o café é rico em polifenóis, que ajudam a combater os radicais livres, contribuindo para a prevenção de doenças crônicas.
  • Energia e foco: a cafeína presente no café melhora o estado de alerta, o foco e pode auxiliar na performance cognitiva e física.

Benefícios do leite

  • Aporte de cálcio e proteínas: o leite oferece cálcio, essencial para a saúde óssea, e proteínas de alto valor biológico que auxiliam na manutenção da massa muscular. Em média, 200 ml de leite de vaca (integral, semidesnatado ou desnatado) contém aproximadamente 240 a 260 mg de cálcio e 6 a 7 gramas de proteína.
  • Saciedade: a gordura e as proteínas do leite, junto com o café, podem aumentar a saciedade e ajudar no controle da fome, dependendo do contexto alimentar.

O leite é inflamatório?

⚠️ Ferreira destaca que o leite não é automaticamente um alimento inflamatório. Ele só pode ter potencial inflamatório em pessoas que apresentam intolerância, alergia ou sensibilidade.

O leite pode ser inflamatório para:

  • Intolerantes à lactose: podem ter sintomas como inchaço, gases, diarreia e desconforto abdominal. Mas isso não é inflamação sistêmica, é uma reação local no intestino.
  • Alérgicos à proteína do leite: nesses casos, o leite pode causar uma resposta imune inflamatória mais grave.
  • Pessoas com doenças inflamatórias pré-existentes: algumas relatam melhora dos sintomas ao reduzir ou retirar laticínios, especialmente quando há sensibilidade individual.
  • Dietas pró-inflamatórias: quando o leite é consumido junto com outros alimentos ultraprocessados em excesso, pode contribuir para um padrão alimentar inflamatório, mas o problema não é o leite isolado.

Essa combinação reduz a acidez do café? Qual é a vantagem?

Sim. O leite pode reduzir a acidez percebida do café, tanto no sabor quanto no impacto sobre o estômago.

A vantagem é que essa combinação pode ser mais bem tolerada por pessoas que sentem azia, queimação ou desconforto ao ingerir o café puro. Além disso, o sabor fica mais suave, o que pode ser agradável para quem não aprecia o amargor intenso do café.

Alertas e cuidados

  • Intolerância à lactose: quem tem intolerância ou alergia ao leite deve optar por versões sem lactose ou bebidas vegetais.
  • Interferência na absorção de nutrientes: o cálcio do leite pode reduzir a absorção de ferro quando consumido próximo às refeições principais.
  • Excesso de cafeína: pode causar ansiedade, insônia, taquicardia e irritabilidade se consumido em grandes quantidades.
  • Adição de açúcar: É comum adoçar café com leite, mas isso pode aumentar desnecessariamente o consumo de açúcar. O ideal é reduzir ou evitar o açúcar. Uma dica é substituir o açúcar por canela.

Tipo de leite

Se possível, recomenda-se escolher um leite tipo A2 que vem de vacas que produzem naturalmente apenas a proteína beta-caseína A2. A maioria dos leites convencionais contém uma mistura de duas proteínas, A1 + A2 e pode causar desconforto digestivo em algumas pessoas, alerta Ferreira.

“O leite tipo A2 tem melhor digestão, pode ser alternativa para quem sente mal-estar com leite comum, tem os mesmos nutrientes e é mais natural. O leite A2 não é modificado — as vacas que produzem só a proteína A2 são selecionadas por genética”, explica a nutricionista.

O leite A2 não é isento de lactose. E pessoas com intolerância à lactose continuam precisando consumir leite sem lactose.

Café com Leite IntegralFoto: Fatsecret Brasil

Café com leite pode ser ingerido por crianças?

A bebida pode sim ser consumida, com moderação, por crianças, a partir de 5 anos, em pequenas quantidades (ex: uma xícara pequena de café bem diluído no leite).

Cuidados: O excesso de cafeína pode afetar o sono, o apetite e a absorção de cálcio em crianças. Por isso, é importante que o café seja bem diluído no leite e não substitua outras fontes de nutrientes.

Qual seria a proporção ideal de leite e café?

Uma proporção equilibrada e bem aceita nutricionalmente seria: 2 partes de leite para 1 parte de café. Exemplo: 150 ml de leite + 75 ml de café.

Essa proporção suaviza o sabor, reduz a acidez e garante um bom aporte de nutrientes, sem exagerar na cafeína, explica Ferreira.

Quantos ml por dia um adulto pode ingerir?

  • Adulto saudável: 2 a 3 xícaras de 200 ml por dia na proporção sugerida. Isso mantém a ingestão de cafeína dentro do recomendado (aproximadamente até 300 mg por dia para adultos saudáveis). Mas é importante considerar o consumo total de cafeína no dia (de outras fontes como chás, chocolates e suplementos).
  • Gestante ou lactantes: é importante reduzir ou até zerar o consumo de cafeína. Siga as orientações do seu médico ou nutricionista.
  • Crianças e adolescentes devem consumir café com moderação, no máximo uma xícara por dia.

Dicas para tornar o café com leite mais saudável

  • Leite de mais leve digestão: uma dica muito simples para tornar o café com leite mais saudável é escolher um leite que seja mais leve para a digestão e tenha melhor perfil nutricional. Hoje em dia, muitas pessoas têm dificuldade de digerir a lactose ou a caseína do leite de vaca. Por isso, trocar por bebidas vegetais sem aditivos, como leite de castanha, amêndoas ou coco, pode ser uma ótima opção, orienta a nutricionista Daniela Zuin.
  • Evitar adoçantes artificiais e açúcares refinados: Se quiser adoçar, prefira pequenas quantidades de mel puro, tâmaras ou até canela, que além de aromatizar ajuda no controle glicêmico. “Sempre oriento os pacientes a observar como o café está sendo consumido: sem excesso de creme, xaropes ou chantilly, que aumentam muito as calorias e inflamação no corpo”, diz Zuin.
  • Avaliar o café em si, priorizando grãos orgânicos e de boa qualidade: esse cuidado tem como objetivo reduzir a ingestão de pesticida, e evitar tomar em jejum para quem tem sensibilidade gástrica ou picos de ansiedade.

O café com leite pode ser bom para o pré-treino?

Dentro da nutrição funcional e integrativa, o café com leite pode até ser usado como pré-treino, mas Zuin faz algumas observações importantes:

“O café em si é excelente por conter cafeína, que melhora o foco, a disposição, a performance física e também estimula a queima de gordura durante o exercício. Mas quando falamos do leite de vaca, é importante lembrar que ele nem sempre é a melhor escolha para todos”.

Isso porque o leite de vaca contém lactose, que muitas pessoas não digerem bem, podendo causar gases, estufamento, desconforto abdominal e até alteração do trânsito intestinal. Além disso, ele contém caseína A1, uma proteína que pode aumentar processos inflamatórios no corpo, principalmente em pessoas que têm sensibilidade, permeabilidade intestinal ou doenças autoimunes.

Fonte: G1 Saúde/Bem Estar

Lepra, DST, loucura: por que alguns termos médicos caíram em desuso?

Para muita gente, a medicina se resume a exames, cirurgias e tratamentos. Mas ela também é feita de palavras, e a forma como são nomeadas as doenças influencia diretamente tanto o cuidado clínico quanto a maneira como a sociedade enxerga quem convive com essas condições.

ImagemFoto: Getty Images / Uol

Não por acaso, termos como “lepra”, “retardo mental” ou “loucura” foram sendo abandonados ao longo do tempo, substituídos por expressões mais técnicas, precisas e respeitosas. Essas mudanças não são meramente linguísticas: fazem parte de um campo essencial da medicina chamado nosologia —do grego nósos (doença) e logos (estudo), explica a dermatologista Camila Sampaio Ribeiro, médica pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, de Salvador.

“É a nosologia que organiza, classifica e dá nome às doenças”, continua a dermatologista. Graças a ela, profissionais de saúde, pesquisadores e sistemas de saúde ao redor do mundo conseguem falar a mesma língua, utilizando códigos padronizados como os da CID-11 (Classificação Internacional de Doenças – 11ª Revisão), organizada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

Por que as classificações mudam?

Os motivos que levam à substituição de termos médicos podem ser diversos, mas em geral envolvem três grandes fatores:

Avanços científicos: à medida que compreendemos melhor a origem e o funcionamento das doenças, certos nomes antigos se tornam imprecisos ou até equivocados. Foi o que ocorreu com o termo “retardo mental”, substituído por deficiência intelectual, uma expressão com critérios mais claros e foco nas limitações adaptativas.

Outro exemplo é a transição de “DST” para “IST” —infecção sexualmente transmissível. A mudança não é só de sigla: é de entendimento. A infectologista Sylvia Lemos Hinrichsen, professora da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), explica: “IST é mais preciso: nem toda infecção causa sintomas ou evolui para uma doença”.

Mudanças nos critérios diagnósticos: com o avanço das pesquisas, algumas condições que antes eram vistas como únicas passaram a ser divididas em subtipos, complementa a dermatologista Camila Ribeiro. É o caso do antigo “autismo”, que agora integra o TEA (transtorno do espectro autista), permitindo uma classificação mais abrangente, precisa e sensível às diferentes manifestações.

Sensibilidade social e combate ao estigma: certos termos carregam marcas históricas de exclusão, medo e preconceito. Substituí-los por nomes mais neutros e técnicos ajuda a promover respeito e dignidade. “É o caso de ‘lepra’, agora chamada de hanseníase, e de ‘transtorno de identidade de gênero’, que hoje nem é mais visto como patologia”, destaca Luiz Scocca, psiquiatra pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Ele acrescenta: “Só se fala em ‘disforia de gênero’ quando há sofrimento psíquico significativo associado, e mesmo assim, a abordagem é voltada para o acolhimento, não para a patologização.”

Scocca também menciona o clássico exemplo da “histeria”, termo que caiu em desuso por carregar preconceitos de gênero: “‘Histeria vem de ‘hystera’, útero em grego, e sugeria que era um transtorno exclusivo de mulheres. Hoje, falamos em ‘transtorno de conversão’ ou ‘transtorno dissociativo’, condições que também ocorrem em homens.”

Linguagem pode estigmatizar ou libertar

A linguagem médica afeta diretamente a vida das pessoas. Termos ofensivos, alarmistas ou mal escolhidos podem provocar medo, vergonha, exclusão social e até levar ao abandono de tratamentos, afirma a dermatologista Camila Ribeiro.

Por outro lado, nomes atualizados, respeitosos e bem contextualizados favorecem o acolhimento, ampliam o acesso ao cuidado e ajudam a reduzir o preconceito.

Um exemplo emblemático é o abandono de palavras como “aidético” ou “loucura”, expressões desumanizantes e marcadas pelo estigma. “Hoje falamos em ‘pessoa vivendo com HIV’,” explica a infectologista Sylvia Hinrichsen, “porque isso valoriza a dignidade humana, evita rótulos e reforça que o vírus não define a pessoa.”

No campo da saúde mental, a mudança de vocabulário também tem impacto profundo. O psiquiatra Luiz Scocca chama atenção para a carga social da palavra “psicopatia”: “Ela ganhou um rótulo de coisa sempre criminosa ou violenta, sinônimo de serial killer. Mas o que descrevemos, tecnicamente, é o transtorno de personalidade antissocial. O uso indiscriminado do termo causa medo e demonização desnecessária”.

Quando o nome de alguém vira problema

Além dos termos ofensivos ou ultrapassados, há um esforço crescente para abandonar epônimos (nomes de doenças baseados em pessoas), sobretudo quando essas figuras estão ligadas a contextos históricos negativos.

“Houve casos em que doenças deixaram de ter nomes de médicos ligados ao nazismo, por exemplo. Atualmente, opta-se por nomes como tireoidite autoimune em vez de doença de Hashimoto”, explica Natan Chehter, clínico geral, geriatra membro da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia) e professor da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo).

Até mesmo estruturas do corpo passaram por esse tipo de atualização. “Rótula virou patela, omoplata virou escápula”, comenta Chehter. “Essas mudanças vêm de acordos entre anatomistas. O desafio é que os novos nomes sejam absorvidos pelos profissionais de saúde e, com o tempo, também pela população.”

Lepra passou a ser chamada de hanseníase como forma de reduzir o preconceito social com a doença.Foto: Opas/Joshua Cogan / Uol

Não se trata de “politicamente correto”

Como se vê, a lista de termos atualizados é extensa, e vai além do universo técnico. Palavras populares como “cobreiro” (em vez de herpes zoster) ou “barriga d’água” (para esquistossomose) revelam o quanto a educação em saúde ainda é um desafio. “Mas não é obrigação da população saber todos os nomes médicos. É papel do profissional comunicar com clareza e respeito”, ressalta o clínico geral Natan Chehter.

No fim das contas, as mudanças na linguagem médica têm a ver com empatia, precisão e dignidade em saúde. A seguir, veja alguns dos termos que foram (ou estão sendo) atualizados e os motivos por trás das mudanças:

Lepra > Hanseníase – O termo “lepra” carrega um histórico de estigma ligado a isolamento, medo e até punição divina. “Hanseníase”, nome técnico em homenagem ao descobridor da bactéria (Mycobacterium leprae), ajuda a reduzir o preconceito social e facilita a adesão ao tratamento.

DST (doença sexualmente transmissível) > IST (infecção sexualmente transmissível) – O novo termo é biologicamente mais preciso —nem toda infecção causa sintomas ou se torna uma “doença”. Além disso, evita associações automáticas com culpa, julgamento moral ou promiscuidade, incentivando o rastreio precoce.

Retardo mental > Deficiência intelectual – Atualização que substitui um termo historicamente pejorativo, com foco nas limitações adaptativas e sem conotação depreciativa.

Mongolismo > Síndrome de Down – “Mongolismo” é considerado ofensivo, reducionista e cientificamente incorreto. “Síndrome de Down” é o nome técnico apropriado, livre de estigmas racistas.

Transexualismo > Disforia de gênero – A nova terminologia representa a despatologização da experiência trans. A disforia só é considerada um transtorno quando há sofrimento psíquico associado —e, mesmo assim, o foco é o acolhimento, não a exclusão.

Autismo >TEA (Transtorno do Espectro Autista) – O termo atual contempla a diversidade de manifestações clínicas, níveis de suporte e graus de funcionalidade, com base em critérios mais atualizados e inclusivos.

Síndrome de Asperger >TEA (Nível 1 de suporte) – A antiga classificação foi incorporada ao espectro autista, com foco no funcionamento adaptativo, e não mais em categorias isoladas.

Loucura/Insânia > Transtornos mentais específicos – Expressões genéricas e estigmatizantes foram substituídas por diagnósticos técnicos, como depressão, transtorno bipolar ou esquizofrenia.

Psicose maníaco-depressiva > Transtorno bipolar – Termo anterior era confuso e ultrapassado. A nova denominação é mais precisa e cientificamente aceita.

Esquizofrenia > Proposta: transtorno de integração – Em debate em países como Japão e Coreia do Sul, a proposta visa reduzir o estigma associado à esquizofrenia e ampliar a compreensão da condição. Ainda não adotado oficialmente no Brasil.

Histeria > Transtorno de conversão/Transtornos somatoformes – “Histeria” é um termo sexista e ultrapassado, que associava sintomas a características femininas. A terminologia atual reconhece causas neurológicas e psicológicas mais amplas.

Hipocondria > Transtorno de ansiedade por doença – Nome atualizado que evita rótulos depreciativos e reforça o entendimento de que se trata de um transtorno de ansiedade, e não de fingimento ou exagero.

Alcoólatra > Alcoolista/Pessoa com transtorno por uso de álcool – Expressões menos pejorativas e mais humanizadas, que colocam o foco na condição, e não em uma identidade rotulada.

Impotência sexual > Disfunção erétil – A nova nomenclatura é técnica e neutra, evitando associações negativas à virilidade ou masculinidade.

Derrame > AVC (acidente vascular cerebral) – O termo técnico padronizado traz mais precisão ao descrever o tipo de evento cerebral (isquêmico ou hemorrágico), e é amplamente aceito na literatura médica.

Fonte: Viva Bem / Uol

Homem que usava cordão morre após ser puxado para dentro de máquina de ressonância magnética nos EUA

Segundo a polícia local, ele entrou sem autorização na sala onde exames são realizados.

Um homem que ficou gravemente ferido na última quarta-feira (16) após entrar em uma sala de ressonância magnética e ser puxado para dentro da máquina pelo seu colar morreu no dia seguinte. O caso aconteceu em Long Island, nos Estados Unidos.

Máquina de ressonância magnéticaFoto: Freepik / O Globo

A vítima de 61 anos usava uma “grande corrente metálica” no pescoço quando entrou na sala do Nassau Open MRI em Westbury, em Nova York, às 16h34 da quarta-feira, de acordo com o Departamento de Polícia do Condado de Nassau.

No entanto, ele não tinha autorização para entrar na sala. Ser puxado para dentro da máquina o fez ter um episódio clínico. Em seguida, ele foi levado para um hospital, onde morreu às 14h36 de quinta-feira (17).

A polícia do Condado de Nassau informou em um comunicado à imprensa na sexta-feira que a investigação sobre o episódio continuava. Um porta-voz do departamento afirmou que não havia outras informações disponíveis.

O Nassau Open MRI não respondeu a um pedido de comentário feito pelo The New York Times. A empresa oferece exames de ressonância magnética fechados e abertos, de acordo com seu site. Uma ressonância magnética aberta envolve um aparelho com laterais abertas, em vez de um tubo fechado.

Máquinas de ressonância magnética utilizam ímãs e correntes de radiofrequência para produzir imagens anatômicas detalhadas. A força magnética de uma máquina de ressonância magnética é forte o suficiente para arremessar uma cadeira de rodas através de uma sala, de acordo com o Instituto Nacional de Imagem Biomédica e Bioengenharia.

Os pacientes são aconselhados a remover joias e piercings antes de entrar em uma máquina de ressonância magnética, e pessoas com alguns implantes médicos, particularmente aqueles que contêm ferro, não devem se submeter a exames de ressonância magnética.

Lesões e mortes envolvendo aparelhos de ressonância magnética já ocorreram no passado. Em 2001, um menino de 6 anos morreu quando um tanque de oxigênio metálico foi puxado para dentro de um aparelho enquanto ele realizava um exame.

Um homem morreu na Índia em 2018 ao entrar em uma sala de ressonância magnética carregando um tanque de oxigênio. Em 2023, uma enfermeira na Califórnia foi esmagada e precisou de cirurgia após ficar presa entre um aparelho de ressonância magnética e uma cama de hospital que havia sido puxada em direção ao aparelho pela força magnética do aparelho.

Fonte: O Globo

Morre Preta Gil, aos 50 anos.

Preta Gil não resistiu ao tratamento contra o câncer nos EUA e morreu, neste domingo (20/7). A coluna Fábia Oliveira descobriu que a cantora teve uma piora em seu quadro de saúde, desde a última quarta-feira (16/7).

Após o tratamento inicial no Brasil com quimioterapia e radioterapia, e uma cirurgia para remoção de tumores em agosto de 2024, o câncer retornou em outras regiões do corpo, levando à retomada de intervenções médicas.

Filha de Gilberto Gil, sobrinha de Caetano Veloso, afilhada de Gal Costa. Deixa um filho e uma neta.

Fonte: G1 e Metrópoles.

Descongestionantes nasais: entenda riscos do exagero e veja alternativas para o alívio respiratório

O uso contínuo pode provocar lesões na mucosa nasal, o que, por sua vez, gera uma dependência do medicamento. Além disso, há riscos cardiovasculares sérios, como taquicardia e angina.

Uso excessivo de descongestionante pode causar problemas à saúde — Foto: ShutterstockFoto: Shutterstock/g1.globo

Quando o nariz fica entupido, especialmente no tempo seco, que aumentam as partículas irritantes no ar, muitas pessoas buscam alívio rápido nos descongestionantes nasais. No entanto, a praticidade desses medicamentos esconde consequências significativas para a saúde quando usados sem parar.

O uso contínuo de descongestionantes nasais pode levar a vícios e problemas cardíacos. A melhor forma de manter o nariz limpo é com soro fisiológico a 0,9%, dizem especialistas.

Este uso excessivo pode provocar lesões na mucosa nasal, o que, por sua vez, gera uma dependência do medicamento. Além disso, há riscos cardiovasculares sérios, como taquicardia e angina.

Mas o que leva a essa dependência?

Quando o descongestionante é aplicado, ele faz com que os vasos sanguíneos se contraiam, desinchando a mucosa e abrindo a passagem do ar.

➡️ O problema é que, logo em seguida, os vasos voltam a inchar e o nariz entope novamente, criando um ciclo vicioso onde a pessoa precisa de doses cada vez maiores para obter o mesmo efeito.

➡️ Para as crianças, o alerta é ainda mais grave. O uso de descongestionantes nasais não é indicado para elas e, em casos de superdosagem, pode ser fatal. O pediatra e toxicologista Anthony Wong explica que “Ele pode aumentar a pressão da criança a nível muito alto, inclusive atrapalhando a circulação”.

A superdosagem em crianças pode levar a reações cardiovasculares, choque, falta de ar e até parada cardíaca.

Os pais devem estar muito atentos a sintomas de superdosagem ou reação alérgica, que incluem palidez, sonolência ou agitação extrema, irritabilidade e alguma alteração de comportamento fora do usual.

Uso contínuo do descongestionante nasal pode causar problemas como taquicardia, hipertensão e insônia — Foto: ShutterstockFoto: Shutterstock/g1.globo

Alternativas seguras para a higiene nasal

A boa notícia é que existem métodos seguros e eficazes para manter o nariz limpo e descongestionado, sem os riscos associados aos descongestionantes.

 A maneira mais recomendada é a limpeza com soro fisiológico a 0,9%.

Como utilizar o soro fisiológico:

  • Para uma pessoa saudável, sem rinite ou qualquer outra inflamação, duas aplicações ao dia (uma pela manhã e outra à noite) são suficientes para manter o nariz limpo e descongestionado;
  • A higiene nasal também pode ser realizada durante o banho, aproveitando que a água e o calor ajudam a amolecer as crostas, facilitando a limpeza.

A pediatra Ana Escobar e o otorrinolaringologista Marcelo Hueb apontam que priorizar a saúde nasal com métodos naturais e comprovadamente seguros é fundamental para evitar complicações.

Fonte: g1.globo

Dona Ruth perde a guarda de Léo, filho de Marilia Mendonça, como fica a cabeça dessa criança?

E o pai, Murilo Huff, comprova alienação parental e negligência. Você tem ideia do que isso faz com a cabeça de uma criança?

Pouca gente entendeu a gravidade do que aconteceu aqui. Depois que Marilia Mendonça morreu, quem criou o pequeno Léo, foi a avó, Dona Ruth. Era ela quem dava colo, o leitinho e segurança.

Mas, o pai, Murilo Huff, entrou na justiça e pediu a guarda para ele. O motivo? Ele acusou a avó do filho de praticar alienação parental e ainda negligenciar a saúde do menino.

Dona Ruth desabafa após perder guarda do neto: “É cruel com a criança e conosco”Foto: Portal Leo Dias

O QUE É ALIENAÇÃO PARENTAL?

Alienação parental é quando um adulto faz a cabeça da criança contra o outro. Fala mal, omite informações, distorce verdades, faz chantagem emocional. O pior? Isso destrói o cérebro  em formação. A criança cresce dividida entre amar quem cuida ou quem é afastado, e carrega culpas que não são dela.

E O QUE É NEGLIGÊNCIA MÉDICA?

Murilo também acusou Dona Ruth de esconder informações sobre a saúde do próprio neto. Léo tem diabetes tipo I, precisa de atenção redobrada.

Segundo a justiça, a avó teria orientado até babás a não contar pro pai quando o menino tomava antibióticos.

Sabe o que isso significa? Que o garoto ficou no meio de um cabo de guerra, sem saber quem realmente podia proteger ele.

Mas olha… Não vamos fazer fofoca de famoso. E nem pra te dar a notícia que você já leu em todos os sites. Vamos ver o que isso faz no cérebro, no corpo e no coração de uma criança. E, como, sem perceber, muitas pessoas repetem isso dentro de suas casas.

É como se o corpinho dele dissesse assim:

“Eu não sei se posso confiar no amor. Não sei se é seguro receber o doce da vida. Então vou precisar controlar isso, para não me machucar mais.”

Quando uma criança perde a mãe tão cedo, e depois vive em meio a disputas e segredos, o corpo dela entende que o mundo é perigoso. E manifesta isso em forma de doença, pra tentar proteger o coraçãozinho.

NEUROCIÊNCIA: O CÉREBRO SOB ATAQUE

Pela neurociência, quando uma criança vive estresse crônico, o cérebro dela muda de verdade.

A amígdala fica super alerta, o hipocampo registra medo em vez de memórias felizes, o pré-frontal tem dificuldade de amadurecer.

Resultado?

Ansiedade, crise de pânico, dificuldade pra confiar nas pessoas e até doenças autoimunes no futuro.

PSICOLOGIA: O EMOCIONAL EM FRANGALHOS

Na psicologia, a gente vê que crianças assim podem ter medo constante de serem abandonadas, pesados, insegurança pra falar o que sentem.

Muitas voltam a fazer xixi na cama, têm ataques de raiva ou ficam quietinhas demais.

Tudo porque o lar, que deveria ser o lugar mais seguro do mundo, virou palco de disputa.

COMO EVITAR QUE ISSO ACONTEÇA?

Então se você que é pai, mãe, avó, tia…

Por favor, nunca coloque uma criança no meio dos seus problemas de adulto.

Não fale mal do outro na frente dela. Não a force a escolher lados.

E dê o exemplo do que é um amor maduro, seguro, presente.

O QUE A CRIANÇA PRECISA

Uma criança precisa de previsibilidade. precisa saber que você vai estar lá amanhã.

Precisa de colo, de rotina, de conversas calmas sobre sentimentos.

Precisa entender que o mundo pode ser bom, e que o amor não vai sumir de uma hora para outra.

Blinde suas crianças para que elas não vivam essa bagunça emocional que o Léo está vivendo.

Fonte: Instagram @dra.proton

Enxaqueca: confira 10 perguntas e respostas para a condição

A enxaqueca crônica atinge duas em cada 100 pessoas em todo o mundo e seus sintomas afetam a vida pessoal, a produtividade no trabalho, o lazer e o bem-estar.

A enxaqueca crônica atinge duas em cada 100 pessoas em todo o mundo e seus sintomas afetam a vida pessoal, a produtividade no trabalho, o lazer e o bem-estar. A enxaqueca crônica é caracterizada por crises frequentes que se repetem por um período prolongado: são 15 dias ou mais de dor de cabeça por mês, durante mais de três meses.

Em pelo menos oito desses dias, os sintomas devem ter as características típicas da enxaqueca: dor latejante (geralmente afetando um lado da cabeça); náuseas e vômitos que acompanham a dor, e sensibilidade à luz e ao som.

 O que é enxaqueca?

A enxaqueca é uma condição hereditária que faz com que a pessoa desenvolva, ao longo da vida, crises com vários sintomas – entre eles, a dor de cabeça. A maioria das pessoas tem apenas alguns episódios de crise ao longo da vida, enquanto outras pessoas desenvolvem muitos episódios de crise e isso se torna uma doença.

“Embora a enxaqueca não mate, ela pode maltratar muito a vida da pessoa. Uma paciente me falou que enxaqueca não mata, mas faz te sofrer tanto até você querer que ela matasse. Alguns dados recentes demonstraram que a enxaqueca é a segunda maior causa de anos vividos por incapacidade na população mundial”, afirma o neurologista dos Hospital das Clínicas e coordenador do Comitê de Educação da Sociedade Internacional de Cefaleia, Marcio Nattan.

Quais são os sintomas mais comuns da enxaqueca?

Muitas pessoas reconhecem a enxaqueca pela dor de cabeça, mas esse não é o único sintoma, apesar de ser um marcador importante nas crises.

A dor de cabeça sem localização, intensidade e frequência específicas pode ser latejante e pulsátil (mais comum) ou por pressão; intensa, (durar horas e até dias) ou pode ser uma crise isolada. Pode doer na frente, na lateral, atrás da cabeça, atrás dos olhos, na cabeça inteira, dos dois lados ou só na têmpora.

Confira outros sintomas que podem acompanhar a dor de cabeça oriunda de enxaqueca:

  • Dificuldade de concentração
  • Irritabilidade
  • Rigidez da musculatura do pescoço
  • Náusea
  • Enjoo
  • Vômito
  • Hipersensibilidade ao ambiente, que inclui: desconforto com a luz, com barulho, com o movimento e/ou com o cheiro
  • Vontade súbita e intensa de comer doce
enxaqueca.jpgFoto: Blog Andreia Torres

O que causa enxaqueca?

A enxaqueca tem um importante fator genético, mas isso não é válido para 100% das pessoas, porque não se trata de uma doença monogênica (causada por mutações em um único gene). Ela é, na verdade, uma condição causada por um conjunto de genes que se expressam com a possibilidade de desenvolver crises.

“Existem fatores da vida de uma pessoa que podem contribuir para que ela tenha aumento de frequência das crises. Mas tudo isso acontece sobre uma base genética hereditária”, destaca Nattan.

Qual a diferença entre cefaleia e enxaqueca?

O termo cefaleia é usado para descrever o sintoma dor na cabeça. E existem muitas doenças que podem gerar dor na cabeça, como sinusite, covid, trombose na cabeça ou até mesmo um AVC ou um trauma.

Já a enxaqueca não é só a dor de cabeça. A cefaleia é um sintoma da enxaqueca, mas há vários outros, conforme mencionado anteriormente.

Por isso, a enxaqueca é uma condição que tem vários sintomas, entre eles a cefaleia.

A cefaleia de tensão é caracterizada por:

  • Ser bilateral (dos dois lados)
  • ⁠Ser sentida/percebida como pressão
  • ⁠De intensidade fraca a moderada
  • ⁠Pode durar de minutos a dias
  • ⁠Não piora com atividade física rotineira (caminhar, falar, etc).
  • Tende a melhorar com analgésicos comuns
  • ⁠O local pode variar

Já a enxaqueca é caracterizada por:

  • Ser unilateral (mais comum, em torno de 60 a 70%)
  • ⁠Ser percebida como pulsátil ou latejante
  • De intensidade moderada a forte
  • Pode durar de quatro a 72 horas
  • ⁠Piora com atividade física rotineira (caminhar, falar, etc).
  • Atrelada a fotofobia (sensibilidade à luz) e fonofobia (sensibilidade a barulhos)
  • ⁠Pode ser associada a náusea ou vômito
  • Pode ser associada a aura, uma distorção que pode ser visual ou sensitiva

Entenda os diferentes tipos de aura:

  • Visual: alteração percepção da visão normal, que afeta cerca de 20% das pessoas que têm enxaqueca. Pode ser um borrão, linhas, zigue zagues, estrelas ou uma mancha, por exemplo
  • ⁠Sensitiva: pode se manifestar, por exemplo, com um formigamento de um lado do corpo

OBS: A aura também pode ter sintomas parecidos com o AVC. Porém, na aura, o sintoma da visão é progressivo e dura entre 5 e 60 minutos, enquanto no AVC acontece de uma vez e dura por horas ou dias.

“A aura às vezes se torna uma coisa dramática. A pessoa não consegue dirigir, ler, nem fazer várias funções porque a visão fica muito prejudicada. Mas isso não é uma coisa contínua, é progressiva”, explica Nattan.

A enxaqueca tem cura?

Por ser uma condição genética e crônica, a enxaqueca não tem cura definitiva, mas pode entrar em remissão em alguns pacientes com tratamento adequado.

“A cura da enxaqueca não é uma coisa que a gente pode chamar de realista.

Mas é muito importante entender que ter uma crise esporádica é diferente

de que tem a doença enxaqueca com muitas crises frequentes e intensas,

que impactam muito a qualidade de vida da pessoa”, destaca Nattan.

A enxaqueca acomete 15% da população brasileira — Foto: ShutterstockFoto: Shutterstock/g1

Quais os tipos de enxaqueca?

As classificações para a enxaqueca ajudam a definir o tratamento, mas a doença é a mesma. Essas classificações têm relação com ter ou não aura e com a frequência, por exemplo.

  • Enxaqueca crônica: quando as crises acontecem mais de 15 dias por mês por mais de 3 meses.
  • Enxaqueca com aura: acompanhada de uma distorção que pode ser visual ou sensitiva, conforme citada anteriormente
  • Enxaqueca vestibular: quando além dos fenômenos da enxaqueca já mencionados, também surgem fenômenos de vertigem e tontura rotatória.
  • Enxaqueca hemiplégica (extremamente raro): a pessoa tem paralisia de um lado do corpo e perda força de um lado do corpo no fenômeno da aura.

Como é feito o diagnóstico da enxaqueca?

O diagnóstico da enxaqueca é clínico. Ou seja, é feito a partir da história que o médico colhe com o paciente e do exame físico. Isso porque o cérebro da pessoa que tem enxaqueca é normal estruturalmente. Não tem uma lesão que justifique a enxaqueca, porque ela tem origem genética. Alguns neurônios funcionam de uma forma alterada durante um período de crise e depois voltam a funcionar de forma normal.

Os exames de imagem como tomografia e ressonância magnética não apresentam alterações específicas na enxaqueca, pois não há lesão estrutural.

“Geralmente, quando o médico pede um exame por conta de suspeita de enxaqueca é porque ele está na dúvida se é enxaqueca ou se é uma outra coisa, como um tumor, uma lesão inflamatória ou infecção”, explica Nattan.

Quais são os tratamentos disponíveis?

Como a intensidade e frequência da enxaqueca variam muito de pessoa para pessoa, nem todo mundo precisa de tratamento preventivo contínuo. Mas quando esse tratamento é necessário, ele pode ser feito tanto com medicamentos de outras áreas da medicina que tiveram comprovação do seu efeito no tratamento da enxaqueca, quanto com medicamentos específicos, desenvolvidos para tratar enxaqueca.

Os medicamentos podem ser divididos em três grandes grupos:

  • anti-hipertensivos
  • antidepressivos,
  • anticonvulsivantes.

Também há tratamentos com a toxina botulínica, a mesma usada para fins estéticos e outros fins terapêuticos.

Além do tratamento preventivo que visa diminuir o número e a intensidade das crises, também existe o tratamento agudo, para controla a dor que já se instalou.

No tratamento agudo, podem ser usados medicamentos como analgésicos comuns, anti-inflamatórios e medicamentos específicos para enxaqueca, como as triptanas.

Além dessas opções encontradas no Brasil, existem outros medicamentos – tanto preventivos quanto de crise – que são específicos para enxaqueca e já estão disponíveis em outros locais:

  • Preventivos: Rimegepant, Atogepant, Eptinezumabe e Erenumabe.
  • Tratamento de crise: Ubrogepant, Zavegepant e Rimegepant.

“Uma pessoa que tem crise muito de vez em quando, menos de uma vez por mês, não tem necessidade de um tratamento específico, contínuo e medicamentoso. Já a pessoa que tem 8, 12, 15 ou mais dias de dor por mês definitivamente precisa de um tratamento medicamentoso em conjunto com todas as outras medidas para a melhora da qualidade de vida”, explica Nattan.

O primeiro tratamento preventivo específico para enxaqueca crônica e intensa – usado de forma contínua para diminuir a frequência e intensidade das crises e assim melhorar a qualidade de vida – é feito à base de anticorpos monoclonais anti-CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina).

São medicamentos desenvolvidos a partir do entendimento do processo biológico da enxaqueca no cérebro e no sistema nervoso periférico. Dois deles estão disponíveis no Brasil: Fremanezumabe e Galcanezumabe (que são medicamentos de alto custo). E outros dois estão disponíveis apenas em outros países: eptinezumabe e erenumabe.

E os gepants (atogepant e rimegepant) são uma nova classe de medicamentos usados no tratamento da enxaqueca, com foco em bloquear a ação do CGRP, mas diferente dos anticorpos monoclonais.

Especialistas sugerem um terceiro elemento do tratamento, que é o estilo de vida do paciente. E isso consiste em combinar exercícios aeróbicos (como natação, caminhada ou corrida) com exercícios de força e seguir os seguintes cuidados:

  • ⁠Cuidar a higiene do sono
  • Evitar temperaturas extremas durante a prática de atividade física
  • Hidratar-se adequadamente
  • ⁠Não pular refeições
  • Moderar o consumo de café para uma xícara ao dia
  • ⁠Não ultrapassar limites (cada pessoa deve identificar os limites de tempo e intensidade após os quais seus sintomas aparecem, para não ultrapassá-los).

Alimentos podem desencadear enxaqueca?

Segundo Nattan, embora os estudos com a melhor metodologia falharam em demonstrar que algum tipo de alimento seja efetivamente gatilho para crise, hoje a melhor explicação para isso é a seguinte:

Quando a crise de enxaqueca começa, horas antes e às vezes até dias antes, a pessoa já pode ter outros sintomas, como dificuldade de concentração, irritabilidade e até uma ‘fissura alimentar’ (vontade intensa de comer doce).

“Mas não é que a crise foi causada por chocolate. É que na verdade, o chocolate já era um sintoma que fez a pessoa procurar o chocolate nessa fase inicial da crise e ela já iria desenvolver a dor de cabeça, independente de comer chocolate”, explica o neurologista.

Mas embora os alimentos não sejam gatilhos, é muito importante as pessoas terem uma dieta balanceada, com menos produtos industrializados, uma dieta colorida e rica em nutrientes.

A enxaqueca é perigosa?

Embora não seja fatal, a enxaqueca pode impactar gravemente a qualidade de vida. Casos crônicos mal controlados podem levar a distúrbios de humor, insônia e uso excessivo de medicamentos, o que piora o quadro.

Fonte: g1.globo

O hospital das despedidas, onde os pacientes vão para morrer com dignidade

O primeiro e, até o momento, o único — hospital de cuidados paliativos do SUS, onde não há pronto-socorro nem UTI.

O Mont Serrat funciona onde antes era o hospital de infectologia Couto Maia em Salvador — Foto: Vitor Serrano/BBC NewsFoto: Vitor Serrano/BBC News/G1

“Era aqui que eu começava a corrida dos três faróis: de Humaitá, passava pelo Farol da Barra e ia até o Farol de Itapuã”, contou Ayrton dos Santos Pinheiro, contemplando o mar de Salvador que se abria diante da sua janela.

Era uma segunda-feira no início de junho, céu claro na capital da Bahia após dias seguidos de chuvas intensas, e Ayrton, de 90 anos, estava em uma das três camas espalhadas por um quarto amplo e bem iluminado no hospital Mont Serrat.

“Quando me disseram que eu viria para este hospital, eu não sabia que ele ficava aqui”, seguiu, falando das instalações na Ponta de Humaitá, no alto do bairro Monte Serrat, na Cidade Baixa.

As lembranças forçaram Ayrton a fazer pausas na fala. Tomando fôlego, com a voz embargada, falou com detalhes dos anos como corredor, da família e do nascimento de um dos filhos naquele bairro.

Nascido em Pojuca, um pequeno município na Região Metropolitana de Salvador, ele chegou à capital por volta dos 8 anos com a família e, até hoje, se encanta com a cidade de onde nunca mais saiu. “É linda”, disse.

"Quando cheguei aqui, minhas forças se renovaram", disse o paciente Ayrton Pinheiro, de 90 anos — Foto: Crédito: Vitor Serrano / BBC News Brasil Foto: Vitor Serrano / BBC News Brasil / G1

Abriu uma agência de turismo, casou-se e tocou a vida entre o esporte, o trabalho e a família.

Ayrton ficou surpreso quando descobriu no hospital, por fim, que estava em um pedaço da cidade que trazia tantas lembranças boas. “Quando cheguei aqui, minhas forças se renovaram.”

Ele ocupava um dos 64 leitos do Mont Serrat, que funciona em um casarão do século 19, próximo a um dos pontos mais conhecidos de Salvador, a igreja do Senhor do Bonfim.

Antes, era o hospital de infectologia Couto Maia, mas desde o fim de janeiro é ali que se instalou o primeiro, e até o momento único, hospital de cuidados paliativos do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil.

Os cuidados paliativos focam na melhora da qualidade de vida e dos sintomas dos pacientes com doenças graves ou que não têm cura. A abordagem, que também é centrada no cuidado dos familiares, não acelera nem abrevia o processo de morte do paciente, mas busca reduzir o sofrimento físico, psicológico e espiritual.

“Aqui, o foco da gente não é a morte. Aqui, o foco da gente é cuidado

enquanto vida tiver”,diz a médica Karoline Apolônia, coordenadora do

Núcleo de Cuidados Paliativos da Secretaria de Saúde da Bahia.

“Perguntaram se meu pai queria fazer a barba, para que time ele torce, o que gosta de comer, se gosta de música. Então, a gente relaxou, por saber que ele está sendo bem cuidado”, conta Ayrton Junior, filho do corredor Ayrton.

Junior diz que o pai tem câncer de próstata e tratou com radioterapia um câncer na pele do nariz e da cabeça.

“[Ele] correu várias maratonas, tenho vários troféus dele lá em casa inclusive”, lembra.

Mas agora a prioridade é o presente.

“A gente sente que o que é importante para meu pai é o conforto presente,

no momento presente. Um dia depois do outro. Ele precisa ficar bem, é o

nosso pensamento, é o pensamento da família dele”

Um hospital sem UTI

Caminhar pelos quatro pavilhões do Mont Serrat é perceber também que ali não funciona um hospital comum.

Não há uma sala de reanimação — já que isso contrariaria um dos critérios para ingressar no hospital —, nem uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Karoline, que compara a internação em uma UTI com correr uma maratona, diz que isso seria incompatível com a condição dos pacientes que ingressam ali.

“Se eu coloco esse paciente para correr a maratona, eu só vou trazer a ele sofrimento”, afirma a médica. “Então, em vez disso, a gente sugere a ele sentar aqui e contemplar o pôr do sol. Aproveitar para dizer desculpa, obrigada, eu te amo e tchau.”

Para um paciente ter indicação de cuidados paliativos, ele deve ser encaminhado por uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), atendendo a alguns critérios, como ter um diagnóstico de doença grave e tempo estimado de vida de seis meses.

A família e o paciente também já devem ter enfrentado o que Karoline chama de “conversas difíceis”, isto é, discutir um prognóstico irreversível e saber que UTI não estaria entre as opções para mantê-lo vivo.

Outra peculiaridade do Mont Serrat é que o necrotério fica no centro, entre os quatro pavilhões, e não em uma ala isolada. E, no mesmo ambiente, dividido por uma porta de correr, fica a Sala da Saudade.

"Sou tratada como um bebê", disse dona Helita, sobre os cuidados no Mont Serrat — Foto: Vitor Serrano/BBC News Foto: Vitor Serrano/BBC News/G1

É ali que muitas famílias se despedem, se abraçam e se acolhem, depois que um familiar faleceu, porque a premissa é que os parentes também sejam cuidados.

Na sala tem um sofá, uma televisão, água, café e um abajur com luz indireta. Na parede de entrada, uma frase de Ana Cláudia Quintana Arantes, uma das paliativistas pioneiras e mais célebres do país, está escrita de fora a fora: “Um minuto de silêncio. Preciso ouvir meu coração cantar.”

Por que tantos cães se parecem com seus tutores? A ciência explica.

Estudo mostra semelhanças físicas e psicológicas entre pets e tutores, desde comprimento da orelha até peso.

Cães e seus tutores podem, sim, ter personalidades semelhantes. É o que revela um artigo recente feito por pesquisadores alemães que revisa 15 estudos científicos e encontra padrões de semelhanças em características como ansiedade, sociabilidade e até extroversão.

Campanha mostra cachorros que parecem com os tutoresFoto: Reprodução/YouTube/extra.globo

A ideia de que “o dono se parece com o cachorro” não é apenas brincadeira: a ciência tem levado isso a sério. Segundo os pesquisadores, além do comportamento, até a aparência pode ser parecida. Há, por exemplo, indícios de que tutores de cabelo curto preferem cães de orelhas pequenas, enquanto quem tem cabelo mais longo tende a escolher animais com orelhas compridas.

Outro dado curioso é a relação entre o peso: estudos apontaram que pessoas com índice de massa corporal (IMC) mais alto também costumam ter cães acima do peso, o que pode estar ligado ao estilo de vida compartilhado.

Mas essas semelhanças não são apenas uma questão de percepção. Em uma das pesquisas, participantes que não conheciam os donos nem os cães conseguiram acertar, só pelas fotos, quais pares eram tutor e pet.

Segundo o estudo, essa conexão pode ter raízes no nosso próprio instinto social. Assim como buscamos pessoas parecidas para conviver, fazemos o mesmo na escolha dos animais de estimação, talvez de forma inconsciente. No caso dos cães de raça, isso fica ainda mais evidente, já que cada raça tem comportamentos mais previsíveis.

Por outro lado, segundo os cientistas, nem sempre é preciso ser parecido para dar certo. Um cachorro agitado pode fazer bem para um tutor mais caseiro, incentivando hábitos mais ativos.

Fonte: Extra/Globo



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