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:: ‘Violência’

Agosto Lilás: Todas as Mulheres. Todos os Direitos.

Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre a violência contra as mulheres. Em 2026, a campanha Agosto Lilás destaca os 20 anos da Lei Maria da Penha e convida a sociedade a refletir sobre a promoção dos direitos, a prevenção da violência e o fortalecimento das redes de proteção.

 

 

 

 

Foto: Internet

 

O que é o Agosto Lilás?

Você já se perguntou por que o mês de agosto é marcado pela cor lilás? A resposta está na história de uma das leis mais importantes do país na proteção dos direitos das mulheres: a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), sancionada em 7 de agosto de 2006. É justamente em homenagem a essa conquista que agosto se tornou o mês de conscientização e mobilização pelo enfrentamento à violência contra as mulheres. Ela foi escolhida por simbolizar a luta pela igualdade de direitos, pela justiça social e pela valorização da dignidade humana. Mais do que uma identidade visual, o lilás representa o compromisso coletivo com a construção de uma sociedade onde nenhuma mulher tenha seus direitos violados.

A campanha Agosto Lilás nasceu em 2016, no estado de Mato Grosso do Sul, com um propósito simples e urgente: transformar o aniversário da Lei Maria da Penha em um momento de informação, conscientização e mobilização da sociedade no enfrentamento à violência contra as mulheres. A iniciativa inspirou outros estados, ganhou alcance nacional e, em 2022, tornou-se oficialmente uma campanha de todo o país.

Mas o Agosto Lilás vai além da divulgação de informações. É um momento para refletir sobre o respeito, a igualdade e o direito de todas as mulheres viverem com segurança, dignidade e liberdade. Também é uma oportunidade para conhecer os sinais da violência, fortalecer as redes de apoio e lembrar que enfrentar esse problema é uma responsabilidade compartilhada entre instituições e toda a sociedade.

Por que a Lei Maria da Penha mudou a história do Brasil?

Você sabia que, até pouco mais de 20 anos atrás, muitos casos de violência doméstica eram tratados como infrações de menor gravidade? Em diversas situações, os agressores recebiam punições leves, como o pagamento de cestas básicas ou multas, enquanto as vítimas continuavam expostas ao ciclo de violência. Foi para mudar essa realidade que nasceu a Lei Maria da Penha.

Sancionada em 7 de agosto de 2006, a lei representou um divisor de águas ao reconhecer a violência doméstica e familiar contra a mulher como uma grave violação dos direitos humanos. Sua criação também simbolizou uma resposta do Estado brasileiro após a condenação internacional pelo caso de Maria da Penha Maia Fernandes, que se tornou um marco na luta pelos direitos das mulheres.

Desde então, muita coisa mudou. A legislação passou a reconhecer que a violência vai muito além da agressão física e pode se manifestar de diferentes formas: psicológica, sexual, patrimonial e moral. Ao longo desses 20 anos, novas medidas foram incorporadas para ampliar a proteção às mulheres e tornar mais rápida a atuação do Estado diante das denúncias.

Mas a construção de uma sociedade livre de violência não depende apenas da existência de uma lei. Ainda existem desafios importantes, como ampliar o acesso aos serviços especializados, fortalecer as redes de acolhimento e garantir que todas as mulheres, independentemente de onde vivem ou de sua realidade social, tenham acesso à proteção e aos seus direitos. É por isso que campanhas como o Agosto Lilás continuam sendo tão necessárias: elas nos lembram que informar, acolher e prevenir também são formas de proteger vidas.

Reconhecendo as múltiplas formas da violência

Quando se fala em violência contra a mulher, é comum que a primeira imagem que venha à mente seja a de agressões físicas ou lesões visíveis. Mas a violência nem sempre deixa marcas no corpo. Muitas vezes, ela começa de forma silenciosa, em atitudes que podem parecer isoladas, mas que, aos poucos, comprometem a autonomia, a autoestima e a liberdade da mulher.

O controle constante do celular, as humilhações, o isolamento de amigos e familiares, a manipulação emocional e o controle do dinheiro são alguns exemplos de comportamentos que também caracterizam violência. Embora não deixem hematomas, essas atitudes provocam impactos profundos e podem fazer parte de um ciclo que tende a se intensificar ao longo do tempo.

Foi para reconhecer essa realidade que a Lei Maria da Penha passou a prever cinco formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Anos depois, a legislação brasileira avançou novamente ao tipificar a violência psicológica como crime, reforçando que ameaças, chantagens, constrangimentos, humilhações e outras formas de abuso emocional também são graves violações de direitos.

Apesar desses avanços, muitas mulheres ainda têm dificuldade para identificar os primeiros sinais da violência ou reconhecer que determinadas situações configuram abuso. Em muitos casos, a ausência de marcas físicas faz com que a própria vítima minimize o que está vivendo ou encontre barreiras para ser acolhida e acreditada. Por isso, campanhas como o Agosto Lilás cumprem um papel fundamental ao ampliar o conhecimento sobre os direitos das mulheres, incentivar a denúncia e fortalecer a cultura do acolhimento.

Reconhecer essas diferentes formas de violência é um passo essencial para interromper o ciclo de abusos antes que ele evolua para situações ainda mais graves. Informar, acolher e acreditar no relato das vítimas são atitudes que podem salvar vidas e fortalecer uma rede de proteção baseada no respeito, na dignidade e na garantia dos direitos de todas as mulheres.

Violência psicológica

Você já ouviu frases como “você não serve para nada”, “ninguém vai acreditar em você” ou “se me deixar, eu acabo com a sua vida”? Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação, controle, isolamento e qualquer comportamento que provoque sofrimento emocional ou diminua a autoestima da mulher são formas de violência psicológica. Desde 2021, esse tipo de violência também é considerado crime no Brasil.

Violência patrimonial

Acontece quando o agressor controla ou destrói os recursos da mulher para mantê-la dependente. Reter documentos, esconder cartões bancários, impedir o acesso ao próprio dinheiro, destruir objetos pessoais ou instrumentos de trabalho e controlar os bens da vítima são exemplos dessa forma de violência.

Violência moral

É caracterizada por ataques à honra e à reputação da mulher. Calúnias, difamações, injúrias, acusações falsas e ofensas que buscam desqualificar a vítima, seja no ambiente familiar, profissional ou nas redes sociais, também configuram violência.

Violência sexual

Ocorre quando a mulher é constrangida, intimidada, ameaçada ou forçada a praticar qualquer ato sexual sem o seu consentimento. Também inclui situações em que seus direitos sexuais e reprodutivos são limitados ou desrespeitados.

Mais do que conhecer esses conceitos, é importante lembrar que nenhuma dessas situações deve ser naturalizada. A informação é uma ferramenta de proteção e pode ajudar mulheres, familiares, amigos e toda a sociedade a reconhecer os primeiros sinais da violência, interromper o ciclo de abusos e fortalecer uma cultura de respeito, acolhimento e garantia de direitos.

Romper o isolamento fortalece a rede de proteção

Uma das estratégias mais comuns da violência contra a mulher é o isolamento. Aos poucos, o agressor pode afastar a vítima da família, dos amigos e dos colegas de trabalho, controlar seus deslocamentos, limitar seu acesso ao dinheiro e fazer com que ela se sinta cada vez mais sozinha. Esse processo não acontece de uma única vez. Ele costuma ser gradual e faz parte do ciclo da violência, tornando a mulher mais vulnerável e dificultando o pedido de ajuda.

A Lei Maria da Penha reconhece essa realidade ao definir a violência psicológica como qualquer conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima ou limite a liberdade da mulher, incluindo o isolamento e a restrição do direito de ir e vir.

Com o passar do tempo, muitas mulheres passam a acreditar que não conseguirão sair daquela situação sozinhas. O medo, a dependência financeira, as ameaças e a falta de apoio podem enfraquecer a capacidade de reação da vítima e dificultar a decisão de romper o ciclo da violência. É justamente nesse momento que uma rede de apoio faz toda a diferença.

Essa rede começa, muitas vezes, pelas pessoas mais próximas. Familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho e da universidade podem ser o primeiro espaço de acolhimento, escuta e orientação. Um gesto de apoio, uma conversa sem julgamentos ou o incentivo para buscar ajuda podem representar o início de uma nova trajetória.

Ao mesmo tempo, existe a rede formal de proteção, composta por delegacias especializadas, serviços de assistência social, unidades de saúde, centros de referência e pelo sistema de Justiça. Esses serviços têm o papel de acolher, orientar, garantir medidas de proteção e assegurar que os direitos das mulheres sejam respeitados.

O Agosto Lilás reforça a importância de fortalecer essas duas redes. Afinal, enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade coletiva. Quanto mais informação, acolhimento e acesso aos serviços de proteção houver, maiores serão as chances de romper o isolamento imposto pelo agressor e garantir que nenhuma mulher enfrente essa situação sozinha.

Leonore Walker

A reiteração desse ciclo fragiliza a capacidade de reação da vítima, promovendo o fenômeno do desamparo aprendido,

no qual a mulher percebe a situação de abuso como insuperável sem auxílio externo. 

 

FLUXO DE ACOLHIMENTO

Fluxo de Acolhimento e Proteção à Vítima

A Rota Crítica ilustra a transição do isolamento para a autonomia: o apoio da rede informal (família e comunidade)

acolhe e reduz o estigma, enquanto a rede formal (órgãos públicos) assegura a proteção jurídica e os direitos da vítima. Autor do conceito: Montserrat Sagot

Onde buscar ajuda

Se você ou alguma mulher que conhece está vivendo uma situação de violência, saiba que não é preciso enfrentar esse momento sozinha. Existem serviços gratuitos e especializados preparados para acolher, orientar e oferecer proteção.

Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

Canal gratuito, confidencial e disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço oferece orientações sobre os direitos das mulheres, informações sobre a rede de atendimento e encaminhamento para os serviços de proteção mais próximos.

Em situações de emergência – Ligue 190

Se houver risco imediato ou a violência estiver acontecendo naquele momento, acione a Polícia Militar pelo telefone 190.

Procure a rede de atendimento da sua cidade

Você também pode buscar apoio nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS e CREAS) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Esses serviços podem oferecer acolhimento, orientação, encaminhamento e acesso aos direitos previstos na legislação.

Para enfrentarmos a violência doméstica com eficácia, precisamos compreender que a rede de apoio opera em duas dimensões vitais e complementares: a rede informal, composta por familiares, amigos e vizinhos, que atua na acolhida sem julgamentos e serve de ponte para o pedido de socorro; e a rede formal, estruturada pelo Estado por meio das delegacias especializadas, do Judiciário e da assistência social, responsável por garantir a proteção jurídica e a integridade da vítima.

Ações como o Agosto Lilás reforçam essa engrenagem ao romper o isolamento da mulher pelo conhecimento dos seus direitos.

Mais do que uma campanha, o Agosto Lilás é um convite para que toda a sociedade assuma seu papel na prevenção, no acolhimento e no enfrentamento da violência contra as mulheres, fortalecendo redes de apoio capazes de salvar vidas.

Fonte: https://sin.ufg.br/n/203156-agosto-lilas-todas-as-mulheres-todos-os-direitos

Policial militar e monitor de ressocialização são presos suspeitos de matar advogada dentro de casa em Itororó

Investigações apontam que crime foi motivado por uma dívida contraída pelo sobrinho da vítima com o mandante da ação. Homens chegaram a monitorar advogada por dois dias antes de atacá-la a tiros.

Um policial militar e um monitor de ressocialização foram presos, nesta terça-feira (4), por suspeita de envolvimento na morte da advogada Cláudia Félix de Oliveira, de 51 anos.

O crime aconteceu na madrugada de 25 de julho, dentro da casa da vítima, em Itororó, no sul da Bahia. Segundo apuração da TV Bahia, os dois homens, que não tiveram os nomes divulgados, agiram em conjunto com mais duas pessoas, a mando de um outro homem de 20 anos.

Foto: Arquivo Pessoal

A investigação aponta também que, antes da ação, o grupo chegou a monitorar a vítima, nos dias 20 e 21 de julho. A ação criminosa foi registrada por câmeras de segurança. A motivação seria uma dívida contraída pelo sobrinho da vítima com o mandante do crime.

Tanto o advogado quanto o monitor de ressocialização foram alvos de uma operação deflagrada em diferentes pontos do estado, nesta terça. Dois mandados de prisão preventiva foram cumpridos contra eles, além de três mandados de busca e apreensão.

O monitor, que tem 27 anos, foi preso enquanto deixava o trabalho, no Conjunto Penal de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Durante a ação, os policiais apreenderam com ele uma pistola, dois carregadores e 23 munições.

Já em dois endereços ligados ao investigado, em Dias D’Ávila, foram apreendidas duas pistolas de airsoft, um fuzil de airsoft, um colete tático, 67 estojos de munições de diversos calibres, dois rádios comunicadores e um documento pertencente a outro investigado.

Conforme informou a Polícia Civil (PC), os materiais apreendidos serão submetidos à análise pericial e integrarão o conjunto de provas da investigação.

Já o policial militar, de 29 anos, não teve o local de prisão detalhado. As investigações continuam para localizar os demais investigados.

Investigação

Antes do assassinato, familiares chegaram ser ameaçados em cobranças. Durante as investigações, a polícia apurou que os suspeitos chegaram a obrigar eles a transferir dois veículos como forma de pagamento.

O caso levou a família a registrar um boletim de ocorrência por extorsão na Delegacia Territorial (DT) de Itabuna, antes do assassinato.

Durante a apuração do caso, dois veículos utilizados no assassinato da vítima foram identificados e apreendidos pela polícia. Foi constatado ainda que os automóveis haviam sido locados e que um deles circulava com placa adulterada.

Carros usados no assassinato da advogada foram apreendidos — Foto: DivulgaçãoFoto: G1 Bahia

Relembre o crime

Segundo a investigação, Cláudia chegou a ligar para a Polícia Militar (PM) pouco antes dos suspeitos invadirem a casa dela, mas, quando os agentes chegaram, ela já estava morta. O óbito foi atestado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

O corpo da advogada foi sepultado no dia 26 de julho, no Cemitério Municipal Recanto da Saudade, no distrito de Bandeira do Colônia, em Itapetinga.

Armas foram apreendidas durante ação contra suspeitos — Foto: DivulgaçãoFoto: G1 Bahia

Na ocasião, a Ordem dos Advogados do Brasil na Bahia (OAB-BA) e a Subseção de Itapetinga lamentaram a morte de Cláudia, classificaram o caso como um “bárbaro homicídio” e informaram que acompanhariam as investigações.

Fonte: G1 Bahia

CCJ da Câmara aprova proposta que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos

Votação se deu por 44 a 18 votos depois de ser adiada três vezes; texto agora segue para análise de comissão especial sobre o tema

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos no Brasil. Agora, o texto segue para análise de uma comissão especial para tratar do tema e, depois, para o plenário da Casa.

A proposta foi aprovada por 44 votos contra 18. Venceu o posicionamento do relator, deputado Coronel Assis (PL-MT), que apresentou parecer favorável.

CCJ da Câmara aprova redução da maioridade penal para 16 anos — Foto: Jornal Nacional/ ReproduçãoFoto: Jornal Nacional/ Reprodução

Na prática, a PEC faz com que adolescentes de 16 e 17 anos acusados de crimes hediondos, como homicídio, estupro e latrocínio, passem a responder criminalmente perante a Justiça comum e possam ser condenados à prisão. Hoje, menores de 18 anos não respondem pelo Código Penal e estão sujeitos apenas às medidas socioeducativas previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

A votação se deu depois de o debate ser adiado três vezes por falta de consenso entre os congressistas de esquerda, sob o argumento de que diminuir a maioridade penal não resolveria o problema da criminalidade entre os mais jovens e poderia levá-los à reincidência. A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) chegou a apresentar um voto pela rejeição da PEC.

O texto foi apresentado em 2015, pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). A proposta original tinha dispositivo que tornava obrigatório o voto em eleições para maiores de 16 anos e permitia com que a faixa etária pudesse se candidatar para o cargo de vereador. Esses trechos foram retirados pelo relator.

Somada à redução da maioridade penal em si, a PEC tramita de forma conjunta a outras duas propostas: uma delas sugere a responsabilização penal de menores de 18 anos nos casos de crimes hediondos ou de maus-tratos e crueldade extrema contra pessoas e animais; a outra prevê a responsabilização para adolescentes a partir de 12 anos que cometerem crimes cometidos com violência ou grave ameaça, crimes hediondos e crimes contra a vida. O parecer do deputado Coronel Assis também foi a favor das duas.

A CCJ não discutiu a PEC da Maioridade Penal em seu mérito. Os deputados fizeram apenas o debate para saber se as regras previstas no texto estão de acordo com as normas constitucionais. Para analisar a proposta em si, a pauta ainda precisa ser analisada por uma comissão específica antes de ser votada no plenário.

A PEC ganhou força por conta da articulação do pré-candidato à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos últimos meses, o tema recebeu destaque após uma série de casos envolvendo menores de idade. Dentre eles, o estupro coletivo de uma adolescente de 12 anos no Rio de Janeiro; e o assassinato de um cão, conhecido como Orelha, em Santa Catarina. Este último foi arquivado sem comprovação de participação dos jovens.

Segundo o coordenador da campanha de Flávio ao Palácio do Planalto, o também senador Rogério Marinho (PL-RN), a intenção é pautar o assunto “no Senado e na campanha”. O objetivo é fazer com que a discussão funcione como um “contraponto” à PEC da 6×1, que visa reduzir a jornada de trabalho, que tem sido protagonizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Fonte: CNN Brasil

É “Fake News” que pergunta ‘como matar uma mulher sem deixar rastros?’ foi buscada 163 milhões de vezes no Google em 2025

Empresa desmente alegação de posts e nega ter compilado número sobre o tema. Responsável por anuário citado no conteúdo, Fórum Brasileiro de Segurança Pública diz que não produziu análises com base na plataforma.

Circulam nas redes sociais posts alegando que a pergunta “como matar uma mulher sem deixar rastros?” foi pesquisada 163 milhões de vezes no Google em 2025. É #FAKE.

 

É #FAKE que a pergunta 'como matar uma mulher sem deixar rastros' foi pesquisada 163 milhões de vezes no Google em 2025 — Foto: ReproduçãoFoto: G1

Como são os posts?

  • Publicados no Instagram e no Threads nesta quinta-feira (5), eles exibem uma imagem com fundo vermelho e um texto em branco que diz: “O dado do dia: A pergunta ‘como matar uma mulher sem deixar rastros’ foi pesquisada 163 milhões de vezes no Google em 2025”.
  • Na parte inferior, a publicação indica: “Fonte: Dados do Anuário de Segurança Pública de 2025”.

Mas isso não é verdade. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 não menciona qualquer pesquisa como essa. A assessoria de imprensa do Google afirmou que os números citados não se baseiam em dados da empresa.

  • O número de feminicídios bateu recorde no Brasil em 2025: foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número supera os 1.464 registros de 2024, a maior marca até então, e ainda deve crescer mais com os dados de dezembro do estado de São Paulo, que ainda não foram atualizados na base do governo federal.

⚠️ Por que isso é mentira?

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, publicado em julho do ano passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), não menciona os números citados nos posts falsos. A assessoria de imprensa do FBSP esclareceu que o documento não produziu dados baseados em pesquisas do Google e enviou uma nota publicada nesta sexta-feira (6) no Instagram da organização:

“O FBSP esclarece que não produziu dados sobre violência contra a mulher

a partir de análise do Google para o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

O Anuário traz dados oficiais sobre ocorrências criminais de violência contra

a mulher e crimes em geral, que podem ser acessados diretamente pelo nosso site“.

O texto também diz: “A violência contra mulher é um tema grave,

que exige responsabilidade, precisão e compromisso com a informação

qualificada. A circulação de dados incorretos ou atribuídos indevidamente pode

gerar desinformação e enfraquecer o debate público sobre um problema que precisa ser enfrentado com seriedade”.

  • Além disso, o anuário apresenta análises a partir de dados nacionais de 2024. Dessa maneira, não poderia conter informações coletadas em 2025.
  • A assessoria de imprensa do Google também desmentiu a alegação: “As publicações que atribuem dados de buscas relativas à violência de gênero não se baseiam em dados do Google”.

Fonte: G1

Polícias Civil e Militar apreendem fuzis, pistola Glock e drogas em operação contra grupo ligado a duplo homicídio em Iguaí

Uma operação conjunta das Polícias Civil e Militar da Bahia resultou na apreensão de armas de grosso calibre, drogas e munições, nesta quinta-feira (9), na zona rural do município de Iguaí, no sudoeste do estado. A ação faz parte das investigações sobre o duplo homicídio que vitimou Mirella Oliveira Moreira, de 19 anos, e Gustavo de Jesus Gonçalves, de 16, na Fazenda Boa Vista.

Foto: Alô Juca

Durante a operação, os agentes localizaram dois fuzis, uma pistola Glock com carregador tipo “caracol”, além de diversas munições, drogas, um alicate amarelo e duas bolsas. O armamento, segundo a Polícia Civil, é o mesmo utilizado na tentativa de invasão da cidade de Iguaí, ocorrida entre a noite de segunda (7) e a madrugada de terça-feira (8).

 

As diligências levaram as equipes até uma fazenda na região da Água Vermelha, onde os suspeitos estariam escondidos. No momento da abordagem, um dos homens reagiu e atirou contra os policiais, iniciando um confronto. O suspeito foi atingido, socorrido ao hospital local, mas não resistiu aos ferimentos.

 

Dentro do imóvel, os agentes encontraram as armas e o material ilícito que reforçam a ligação dos suspeitos com facções criminosas que disputam o controle do tráfico de drogas na região.

 

As investigações indicam que o duplo homicídio da Fazenda Boa Vista e a tentativa de invasão ao município estão relacionados à guerra entre facções rivais. O delegado Irineu Andrade, coordenador da 21ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), informou que a operação desta quinta é parte de uma sequência de ações de enfrentamento ao crime organizado.

 

“Além do armamento apreendido hoje, localizamos um revólver calibre 38 na quarta-feira (8) e duas armas no último domingo (5). Isso mostra o esforço contínuo das forças de segurança para conter o avanço das facções e restabelecer a tranquilidade na região”, afirmou o delegado.

 

A operação contou com o trabalho conjunto de equipes da Delegacia Territorial de Iguaí, Delegacia de Ibicuí, 8ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO) de Itapetinga e do 2º Pelotão de Iguaí.

 

Segundo as corporações, a ação reforça a integração entre as forças policiais no combate ao tráfico de drogas, ao porte ilegal de armas e aos crimes violentos letais intencionais (CVLIs) na região.

 

“Estamos unindo esforços para desarticular as quadrilhas que tentam se instalar no território. Cada operação representa um passo importante para garantir mais segurança à população”, destacou um dos oficiais envolvidos na operação.

 

As buscas por outros envolvidos na tentativa de invasão e no duplo homicídio continuam. As armas e o material apreendido foram encaminhados para o Departamento de Polícia Técnica (DPT), que fará a perícia balística para confirmar a relação com os crimes investigados.

 

Fonte: Bahia Notícias

Pedidos de pizza e dipirona viram alerta de agressão à mulher

Uma mulher conseguiu denunciar o ex-companheiro por violência doméstica ao simular o pedido de uma pizza durante uma ligação para o número 190, em Vitória da Conquista, no Sudoeste da Bahia. O caso, registrado na última quarta-feira (30), mobilizou uma equipe da Polícia Militar e terminou com a prisão do suspeito.

A vítima falou com o atendente do Cicom (Centro Integrado de Comunicações da Segurança Pública) como se estivesse encomendando uma pizza. A intenção era disfarçar o pedido de socorro, já que o ex-companheiro estava presente e a ameaçava.

“Gostaria de fazer um pedido de uma pizza”, diz a mulher no áudio do atendimento, divulgado pela Polícia Militar. Ao desconfiar da situação, o atendente pergunta: “A senhora está sendo ameaçada?”. Ela responde com um “sim, sim”.

O diálogo, que durou um minuto e 12 segundos, foi o suficiente para identificar a situação de risco e iniciar a ocorrência.

Ao chegarem à residência, os policiais encontraram o homem em atitude agressiva. Ele resistiu à prisão e precisou ser contido com munições de borracha. Segundo a SSP-BA (Secretaria de Segurança Pública da Bahia), o suspeito não aceitava o fim do relacionamento.

O agressor foi encaminhado à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Vitória da Conquista, onde o caso está sendo investigado.

Mulheres usam novos códigos para alertar agressões à políciaFoto: FreePik

Pedidos de socorro disfarçados

Uma mulher vítima de violência doméstica foi socorrida pela Polícia Militar após ligar para o 190 e pedir, discretamente, por uma “dipirona”. O caso, que ocorreu em Campo Grande, no mato Grosso do Sul, foi divulgado nesta terça-feira (5) pela corporação. O homem suspeito foi preso em flagrante.

A ligação, recebida pelo COPOM (Centro de Operações da Polícia Militar), chamou atenção dos agentes. Mesmo com a frase aparentemente banal — “Alô… eu preciso de uma dipirona” —, os policiais compreenderam que se tratava de um pedido de socorro. A gravação foi publicada nas redes sociais da PM, com a voz modificada para preservar a identidade da vítima. 

Durante a conversa, o policial que atendeu à ocorrência passou a fazer perguntas codificadas para entender melhor a situação:

— “A senhora confirma aí, se for positivo a informação, a senhora fala dipirona novamente. É seu marido?”, perguntou.

— “Sim, é a dipirona, sim”, respondeu a vítima.

— “Agora fala a intensidade da agressividade aí, a senhora miligramas, 10 miligramas, 20 miligramas ou 30 miligramas. Qual é a intensidade da agressividade dele?”

— “30”, finalizou.

Dias após o ocorrido, a vítima ligou novamente para o batalhão, dessa vez para agradecer o acolhimento e a resposta rápida. “O socorro chegou a tempo”, destacou a corporação.

A PMMS disse que os atendentes “são policiais militares experientes, com histórico de atuação na radiopatrulha e contato direto com vítimas de violência doméstica”. Além disso, esclareceu que eles recebe, treinamentos especializados, como técnicas estudos de casos reais, o que os capacita para “identificar com maior precisão situações de risco e prestar um atendimento mais sensível e eficaz”.

O homem foi encaminhado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), onde foram adotadas as providências cabíveis.

Fonte: CNN Brasil

 

Polícia da Bahia é a que mais mata no Brasil pelo 3º ano seguido, aponta Anuário da Segurança Pública de 2024

Um a cada quatro homicídios na Bahia foram cometidos por policiais em 2024, é o que aponta o Anuário da Segurança Pública de 2024, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta quinta-feira (24). Em números absolutos, a polícia baiana foi a que mais matou entre os estados brasileiros no ano passado, registrando 1.556 homicídios, liderando a estatística pelo terceiro ano consecutivo.

O dado representa uma queda 8,6% em relação ao ano passado, quando foi reportado 1.700 casos. Em média, a polícia baiana foi considerada a segunda mais letal do Brasil, com 10,5 homicídios cometidos por policiais a cada 100 mil habitantes.

Polícia da Bahia é a que mais mata no Brasil pelo 3º ano seguido, aponta Anuário da Segurança Pública de 2024Foto: Alberto Maraux / SSP-BA

O Amapá ocupa a liderança de letalidade proporcional, com 17,1 homicídios a cada 100 mil habitantes ao longo de 2024. No recorte, a polícia amapaense foi responsável por um a cada três homicídios no estado.

No Brasil, foram registradas 6.243 pessoas mortas em decorrência de intervenções de policiais militares e civis da ativa, tanto em serviço quanto fora dele. O número representa uma redução de 3,1% na comparação com 2023.

Um detalhe é que pessoas negras, que compreendem a soma de pessoas pretas e pardas, corresponderam a 82% das vítimas de letalidade policial em 2024 no Brasil. Conforme o levantamento, o risco de uma pessoa negra ser morta pelas forças de segurança é 3,5 vezes maior do que o de uma pessoa branca.

Segundo o Anuário, as Mortes Decorrentes de Intervenções Policiais (MDIP) corresponde à soma de vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais, em serviço e fora de serviço. Em alguns casos, as mortes decorrentes de intervenções policiais são contabilizadas dentro dos homicídios dolosos.

Fonte: Bahia Notícias

Dona Ruth perde a guarda de Léo, filho de Marilia Mendonça, como fica a cabeça dessa criança?

E o pai, Murilo Huff, comprova alienação parental e negligência. Você tem ideia do que isso faz com a cabeça de uma criança?

Pouca gente entendeu a gravidade do que aconteceu aqui. Depois que Marilia Mendonça morreu, quem criou o pequeno Léo, foi a avó, Dona Ruth. Era ela quem dava colo, o leitinho e segurança.

Mas, o pai, Murilo Huff, entrou na justiça e pediu a guarda para ele. O motivo? Ele acusou a avó do filho de praticar alienação parental e ainda negligenciar a saúde do menino.

Dona Ruth desabafa após perder guarda do neto: “É cruel com a criança e conosco”Foto: Portal Leo Dias

O QUE É ALIENAÇÃO PARENTAL?

Alienação parental é quando um adulto faz a cabeça da criança contra o outro. Fala mal, omite informações, distorce verdades, faz chantagem emocional. O pior? Isso destrói o cérebro  em formação. A criança cresce dividida entre amar quem cuida ou quem é afastado, e carrega culpas que não são dela.

E O QUE É NEGLIGÊNCIA MÉDICA?

Murilo também acusou Dona Ruth de esconder informações sobre a saúde do próprio neto. Léo tem diabetes tipo I, precisa de atenção redobrada.

Segundo a justiça, a avó teria orientado até babás a não contar pro pai quando o menino tomava antibióticos.

Sabe o que isso significa? Que o garoto ficou no meio de um cabo de guerra, sem saber quem realmente podia proteger ele.

Mas olha… Não vamos fazer fofoca de famoso. E nem pra te dar a notícia que você já leu em todos os sites. Vamos ver o que isso faz no cérebro, no corpo e no coração de uma criança. E, como, sem perceber, muitas pessoas repetem isso dentro de suas casas.

É como se o corpinho dele dissesse assim:

“Eu não sei se posso confiar no amor. Não sei se é seguro receber o doce da vida. Então vou precisar controlar isso, para não me machucar mais.”

Quando uma criança perde a mãe tão cedo, e depois vive em meio a disputas e segredos, o corpo dela entende que o mundo é perigoso. E manifesta isso em forma de doença, pra tentar proteger o coraçãozinho.

NEUROCIÊNCIA: O CÉREBRO SOB ATAQUE

Pela neurociência, quando uma criança vive estresse crônico, o cérebro dela muda de verdade.

A amígdala fica super alerta, o hipocampo registra medo em vez de memórias felizes, o pré-frontal tem dificuldade de amadurecer.

Resultado?

Ansiedade, crise de pânico, dificuldade pra confiar nas pessoas e até doenças autoimunes no futuro.

PSICOLOGIA: O EMOCIONAL EM FRANGALHOS

Na psicologia, a gente vê que crianças assim podem ter medo constante de serem abandonadas, pesados, insegurança pra falar o que sentem.

Muitas voltam a fazer xixi na cama, têm ataques de raiva ou ficam quietinhas demais.

Tudo porque o lar, que deveria ser o lugar mais seguro do mundo, virou palco de disputa.

COMO EVITAR QUE ISSO ACONTEÇA?

Então se você que é pai, mãe, avó, tia…

Por favor, nunca coloque uma criança no meio dos seus problemas de adulto.

Não fale mal do outro na frente dela. Não a force a escolher lados.

E dê o exemplo do que é um amor maduro, seguro, presente.

O QUE A CRIANÇA PRECISA

Uma criança precisa de previsibilidade. precisa saber que você vai estar lá amanhã.

Precisa de colo, de rotina, de conversas calmas sobre sentimentos.

Precisa entender que o mundo pode ser bom, e que o amor não vai sumir de uma hora para outra.

Blinde suas crianças para que elas não vivam essa bagunça emocional que o Léo está vivendo.

Fonte: Instagram @dra.proton

Na trama, a personagem Lucimar, interpretada pela atriz Ingrid Gaigher, decide buscar seus direitos na Justiça.

Uma cena da novela “Vale Tudo”, teve um impacto direto na vida real: apenas uma hora após a exibição, o aplicativo da Defensoria Pública do Rio de Janeiro registrou mais de 270 mil acessos relacionados a pedidos de pensão alimentícia.

Ingrid Gaigher assume papel que foi de veterana em Vale Tudo: "Expectativa  é alta"Foto: Globo/Angélica Goudinho

“O nosso aplicativo da Defensoria teve um aumento exponencial”, diz uma funcionária da Defensoria Pública.

Na trama, a personagem Lucimar, interpretada pela atriz Ingrid Gaigher, decide buscar seus direitos na Justiça. A cena retrata o momento em que ela toma a decisão de formalizar a guarda do filho e cobrar pensão do pai da criança.

“Eu nem acredito que depois de oito anos, eu vou colocar o Vasques na Justiça”, diz a personagem. “Opa: formalizar a guarda do Jorginho”, completa.

A repercussão foi imediata. A atriz Ingrid Gaigher, falou sobre a responsabilidade de interpretar uma personagem que representa tantas mulheres brasileiras.

Foto: Globo/Angélica Goudinho

“Eu falei: bom, eu tenho que estudar muito e me aprofundar nesse tema para não falar de forma leviana sobre um assunto tão sério. Por mais que existam 11 milhões de pessoas nessa situação, ainda parece um tema novo. É curioso”, afirmou a atriz.

A realidade retratada na novela é vivida por muitas mulheres, como Rita de Cássia, atendente, que se identificou com a personagem.

“É ótimo, minha filha. Tem que colocar ele na cadeia pra ver se toma juízo. Eu acho que sou uma das Lucimares. Tenho uma filha na Paraíba, o pai dela é a mesma coisa: não quer ajudar. Paga R$ 150 e acha que é uma ajuda. Eu trabalho aqui e mando dinheiro pra minha mãe que está com ela lá. Eu vou colocar ele na Justiça”, contou.

Fonte: G1 / Profissão Repórter

Jovem se torna advogada e defende mãe em julgamento 12 anos após acusação de homicídio na Bahia; mulher foi absolvida

Quando Maria Rosália Pita, de 47 anos, começou a ser investigada, Camila tinha apenas 14 anos e havia começado a cursar a 1ª série do Ensino Médio na cidade de Valença.

A baiana Camila Pita, de 27 anos, se tornou advogada após uma acusação de homicídio transformar a vida da sua família: quando ainda era adolescente, a mãe dela, a administradora Rosália Maria, foi acusada de matar o namorado. O processo se arrastou por mais de uma década e, 12 anos depois, Camila defendeu a mãe no tribunal.

“Para mim, não restou nenhuma opção além de cursar Direito,

porque eu queria entender tudo que estava acontecendo”, explicou a jovem.

Jovem advogada defendeu a própria mãe em julgamento de homicídio — Foto: Arquivo pessoalJovem advogada defendeu a própria mãe em julgamento de homicídio — Foto: Arquivo pessoal

Em março de 2012, Camila tinha apenas 14 anos e havia começado a cursar a 1ª série do Ensino Médio na cidade de Valença, no baixo sul da Bahia. No dia 13 daquele mês, ela acordou com a polícia à procura da mãe. “Pensei que ela tinha morrido, entrei em desespero”.

Após conversar com os policiais, Camila entendeu o que tinha acontecido: a mãe, que morava com ela e a avó, havia passado a noite com o namorado, José Antônio Silva; o homem morreu dentro de um carro e a administradora era a única testemunha. A família conta que o casal estava em processo de separação, mas José Antônio não aceitava o rompimento.

“Na época, era o assunto da cidade. Foram muitos comentários contra e a favor.

Minha mãe ficou com medo de alguém me fazer algum mal,

não gostava que eu saísse de noite”.

Segundo Camila, a mãe atendeu todos os pedidos dos policiais e participou da reconstituição, mas mesmo assim o caso não foi concluído com rapidez. Ao longo do processo, houve diversos adiamentos e pedidos de recursos que atrasaram o julgamento em mais de uma década.

A então adolescente passou a acompanhar cada etapa do caso. Ela questionava os advogados e lia os documentos enquanto concluía a escola. Assim, no momento de se inscrever para o vestibular, não teve dúvida: estudaria Direito e se especializaria em Direito Penal.

Mas o objetivo de Camila nunca foi defender a mãe no tribunal, até porque ela acreditava que quando recebesse o diploma, o caso já teria sido resolvido. Com a escolha do curso, ela pretendia acompanhar melhor o processo e entender cada etapa.

“Eu queria ser delegada, porque acreditava que havia sido um erro de investigação,

mas assisti a um júri e fiquei encantada. Era uma advogada mulher, jovem,

muito parecida comigo. Depois disso, decidi que iria seguir esse caminho”.

Processo contra Rosália Maria levou 12 anos até o julgamento — Foto: Arquivo pessoalProcesso contra Rosália Maria levou 12 anos até o julgamento — Foto: Arquivo pessoal

Após se formar, em 2021, Camila passou a trabalhar na área para adquirir experiência. Ela integrou alguns júris e, em novembro de 2024, participou do mais importante deles: o julgamento da própria mãe. A jovem foi uma das sete advogadas na defesa de Rosália Maria.

“Eu não fiquei mais nervosa, pelo contrário, me senti mais tranquila por

estar ali naquela posição. Eu sabia que poderia fazer algo para mudar aquela situação”.

O tribunal do júri começou por volta de 8h e só foi finalizado à 1h da manhã do dia seguinte, no Fórum de Valença. Segundo Camila, a cidade compareceu em peso e diversos comércios ficaram fechados ao longo do dia. No fim, a decisão que elas esperavam há 12 anos: Rosália Maria foi absolvida.

“Eu acreditava muito, mas mesmo assim fiquei muito nervosa na espera do resultado. Fiquei muito aliviada com a decisão”, lembrou.

Camila não esperava compor a equipe de defesa no júri da própria mãe — Foto: Arquivo pessoalCamila não esperava compor a equipe de defesa no júri da própria mãe — Foto: Arquivo pessoal


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